Em depoimento à Polícia Federal, o empresário Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master, negou ter se envolvido em qualquer ato de violência ou perseguição contra adversários e desafetos. A oitiva desta quarta-feira tinha o foco na apuração sobre grupos supostamente liderados pelo banqueiro e seu pai, Henrique Vorcaro, indicados pela PF como organizações de espionagem e ameaças contra adversários da família. Seu pai, Henrique Vorcaro, também prestou depoimento e negou ter feito pagamentos por serviços ilícitos.
Vorcaro alegou aos policiais que eventuais falas publicadas pela imprensa eram meros "desabafos" e que nunca houve qualquer ameaça ou ações a mando dele contra supostos desafetos. Ele foi ouvido pela PF direto da unidade prisional da Papudinha no bojo do inquérito que investiga os grupos “A Turma” e “Os Meninos”, que seriam responsáveis por monitorar de forma ilegal quem Vorcaro considerasse um risco aos negócios, por meio de acessos ilegais a sistemas da própria PF e da Interpol.
Ele foi questionado sobre Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", apontado pela PF como responsável por ameaças e agressões a desafetos, acesso indevido a investigações sigilosas e obstrução de Justiça. Segundo mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro pediu a Sicário que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido. Outra pedidos de monitoramento e ameaças também foram averiguados na investigação. Em nota, a defesa alega que com o efetivo acesso ao inquérito que investiga esses grupos, "ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro". O empresário ainda disse aos policiais que só conhecia "Sicário" através de um contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital. Em um depoimento anterior a integrantes do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Vorcaro já tinha negado essas acusações. O empresário ainda negou tentativa de fuga do Brasil e refutou ter informações sobre ordem de prisão contra ele em novembro do ano passado. No dia 17 daquele mês, o banqueiro foi preso enquanto embarcava em Guarulhos para Dubai.
Os advogados ainda reforçaram o pedido de liberdade de Vorcaro, considerando que ele está preso e ainda não há denúncia formal contra ele. As investigações da operação Compliance Zero ainda estão em andamento.
CBN