O senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol (Novo) foi escalado pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL) para participar da análise dos documentos disponibilizados pela campanha do presidente Lula (PT) antes da autorização da quebra dos sigilos bancário e telefônico do presidenciável do PL. A escolha do ex-procurador da Lava-Jato para acompanhar o processo foi anunciada em nota divulgada na manhã desta quinta-feira. Flávio afastado de Marçal e ministros de Lula no canal de Janones: Colunistas do GLOBO trazem bastidores finais das campanhas Voto indefinido: Veja as cidades com mais eleitores que podem decidir o segundo turno Em coletiva de imprensa mais cedo, a advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, afirmou que a equipe jurídica do senador já tem os documentos de Flávio reunidos, mas a entrega só acontecerá após se certificarem de que o petista apresentou tudo conforme foi estabelecido como condicionante. As duas campanhas teriam chegado a um acordo e têm até 23h59 desta quinta-feira para apresentarem as autorizações para a quebra dos sigilos. Em seguida, caberá ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidir se libera a divulgação das informações dos candidatos. Antes disso, os dois candidatos também assinaram uma petição que autorizava o levantamento imediato de seus dados e dos familiares.
A pressão para a quebra dos sigilos teve início após Lula desafiar Flávio a tornar públicas suas informações durante o debate da Band, realizado no último domingo. Após o programa, perfis de apoiadores do presidente também subiram publicações sobre o tema nas redes sociais, também incentivados pelo canal de WhatsApp "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). O parlamentar acompanhou o debate da plateia do estúdio e repassou esses e outros comandos aos apoiadores pelo grupo de mensagens na ocasião, como mostrou o GLOBO. Já Flávio foi acompanhado por integrantes de sua campanha e aliados, como Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Deltan, que usou uma camisa com a frase "eu prendi o Lula".
Neste ano, Dallagnol conseguiu se eleger para o Senado pelo Paraná pela chapa do senador Sergio Moro (PL-PR), que venceu a disputa pelo governo. O ex-procurador, no entanto, ainda enfrenta o questionamento jurídico de sua elegibilidade levantado por adversários, que acionaram o TSE para a análise de seu registro de candidatura.
Em 2023, a Corte cassou o mandato de Deltan na Câmara por considerar que ele cometeu uma fraude à Lei da Ficha Limpa ao deixar o Ministério Público Federal (MPF) enquanto respondia a procedimentos internos que poderiam levar à sua demissão. Neste ano, ele chegou a ser autorizado a concorrer pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, mas a decisão foi contestada e levada para a deliberação do TSE. A análise da Corte estava marcada para o dia 8 de outubro, quatro dias após o primeiro turno, mas foi adiada.
O Globo