Da Xuxa a Roberto Carlos, musical 'Espelho mágico' reúne figuras que marcaram os 60 anos da TV Globo
Do “plim-plim” à nave da Xuxa, poucas coisas moldaram tanto o imaginário brasileiro quanto a TV Globo — e é justamente essa memória afetiva coletiva que “Espelho mágico” leva ao palco a partir de sexta (15), no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro, após temporada em São Paulo. O musical criado e dirigido por Gustavo Gasparani celebra os 60 anos da emissora misturando metalinguagem, humor e uma viagem por novelas, programas e personagens que atravessaram gerações.
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Na trama, Alfredo (vivido por Marcos Veras), um autor de teatro encarregado de escrever uma peça sobre a emissora, pede socorro à Nossa Senhora das Oito — ninguém menos que Janete Clair (1925-1983), interpretada por Eliane Giardini. Ao lado de Dionísio, o Deus do Teatro (André Dias), eles mergulham num passeio pelos muitos “Brasis” apresentados pela televisão.
Eliane Giardini e Marcos Veras como Nossa Senhora das Oito e Alfredo no musical "Espelho mágico"
Divulgação/Priscila Prade
— Quis focar na relação da Globo com a sociedade brasileira e na pluralidade cultural que muita gente conheceu pela TV. Quando pequeno, conheci o sertão de Guimarães Rosa, a Amazônia e o Sul do país por meio de obras adaptadas, e é assim até hoje para muita gente que não tem a oportunidade de viajar — explica Gustavo.
A homenagem a Janete Clair, no ano seguinte ao seu centenário, atravessa toda a montagem. Alfredo, inclusive, é uma referência a Dias Gomes, marido da novelista. Como em toda boa novela, também há espaço para uma história de amor, que vai se desenhando entre entre o protagonista e Beatriz (Beatriz Martins), a clássica mocinha.
— Janete não inventou o gênero, mas fez o que nenhum outro autor de novela fez. Ela teve cem pontos de audiência (com “Selva de pedra”). Ninguém mais teve e nunca terá isso — comenta o diretor.
Ao longo dos atos, um elenco de 32 atores revive personagens icônicos da ficção, como Emília e Visconde de Sabugosa, do “Sítio do Pica-pau Amarelo”, e Carminha, de “Avenida Brasil”, além de figuras do entretenimento e do jornalismo, como Chacrinha e Pedro Bial. A trilha sonora, dirigida por Wladimir Pinheiro, costura músicas como “Brasil”, tema de “Vale tudo”, e “Emoções”, presença obrigatória no especial de fim de ano de Roberto Carlos.
Cena do espetáculo 'Espelho Mágico', que apresenta grandes momentos, produções e talentos da emissora
Divulgação/Caio Gallucci
— O auge é quando aparece a Xuxa. Olho para a plateia e vejo adultos de 50 anos cantando e agitando os braços como se tivessem de novo 10. Todo mundo vira criança — diverte-se Eliane.
Marcos Veras destaca ainda o clima de auditório que toma conta do teatro e as curiosidades históricas espalhadas pela montagem:
— Descobri que a vinheta do Jornal Nacional nasceu de um improviso de um sonoplasta, e que, no início, uma imagem de cachoeira ia ao ar para informar quando tinha enchente no Rio. Isso é pura dramaturgia — celebra.
Serviço
Onde: Teatro Riachuelo, Centro.
Quando: qui e sex, às 20h. Sáb, às 16h e 20h. Dom, às 15h. Até 26 de junho. Estreia sexta (15). Quanto: de R$ 50 (balcão) a R$ 180 (plateia vip). Assinante O GLOBO tem desconto.
Classificação: livre.
