Painel da Convocação: Wesley é a aposta mais confiável nas laterais, setor em crise ao longo do ciclo
Quando se aposta nos jogadores que serão convocados por Carlo Ancelotti para a Copa de 2026, na próxima segunda-feira, talvez onde menos se gaste tempo avaliando as opções seja nas laterais. Poucos arriscam um quarteto que não seja Wesley (Roma-ITA), Danilo, Alex Sandro (ambos do Flamengo) e Douglas Santos (Zenit-RUS). Esta foi uma unanimidade, inclusive, entre a equipe de repórteres e colunistas do GLOBO, que analisa setor por setor até o próximo domingo (os goleiros abriram a série, na quarta-feira; na sexta-feira, serão os zagueiros; no sábado, os meio-campistas, e, no domingo, os atacantes). O que chega a ser irônico, dado que a função é uma das que passam pela maior crise do ciclo atual.
Painel da Convocação: goleiros Alisson e Ederson já têm o carimbo; irregular Bento tenta a última vaga
As laterais já haviam sido palco de um drama no Catar, em 2022. Na ocasião, Tite convocara Alex Sandro, Alex Telles, Danilo e Daniel Alves. Nenhum deles chegou com status de unanimidade. Principalmente o último. A escolha pelo hoje ex-jogador foi bastante questionada pela torcida, que tinha 39 anos à época e passara os dois meses anteriores àquela Copa sem jogar. Para completar, os outros três se lesionaram durante o torneio. Uma crise que não cessou ao fim do Mundial.
ESP_14-05_convocacao-laterais
Maior do que o rodízio de treinadores da seleção no ciclo para 2026, apenas o de laterais. Foram 22 convocados por Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti. Tantos que nem todos chegaram a entrar em campo com a Amarelinha, casos de William (Cruzeiro), Dodô (Inter de Milão-ITA) e Luciano Juba (Bahia).
Só Ancelotti chamou 11 nas cinco convocações desde que assumiu. Na direita, tiveram a oportunidade de ir a campo Vitinho (Botafogo), Vanderson (Monaco-FRA) e Paulo Henrique (Vasco), além de Wesley e Danilo. Do outro lado, Carlos Augusto (Inter de Milão-ITA) e Caio Henrique (Monaco-FRA), além de Alex Sandro e Douglas, somaram minutos sob seu comando.
Com exceção de Wesley, mais uma vez fica a sensação de que os laterais que irão à Copa de 2026 não são insubstituíveis na lista dos 26. O que não chega a ser um demérito para eles, já que todos serão convocados por suas qualidades. Mas, sim, um sintoma do momento da posição no futebol brasileiro.
Wesley foi considerado pelo painel como aquele que mais merece a convocação. Sua temporada na Roma, onde se estabeleceu como titular e evoluiu sob o comando do técnico Gian Piero Gasperini, faz dele o lateral brasileiro de melhor momento. Isso mesmo tendo sido levado para a ala esquerda do time italiano.
A mudança de posição não o atrapalhou na lateral direita da seleção, onde muitas vezes aparece como uma espécie de quinto homem de ataque da equipe de Ancelotti. Mas sem deixar de cumprir suas funções defensivas.
Vanderson também parece ter agradado Ancelotti. Mas a lesão muscular na coxa esquerda, que o obrigou a passar por uma cirurgia em março, acabou com seu sonho de ir à Copa. A sorte poderia ter sorrido para Paulo Henrique ou Vitinho. Mas os dois caíram de produção após se destacarem por Vasco e Botafogo, respectivamente, e chegarem à seleção. Mas não conseguiram convencer o italiano. Sem outro candidato, ele antecipou a convocação de Danilo ainda na data Fifa de março.
No que diz respeito à reação do público à confirmação de sua convocação, o zagueiro/lateral do Flamengo é o Daniel Alves da vez. A escolha por Danilo é alvo de questionamentos porque irá completar 35 anos durante o Mundial e por ter sido convocado para uma posição na qual já não atua em seu clube — onde, aliás, não é titular. Ao justificar a decisão, Ancelotti destacou não só sua polivalência como sua liderança no grupo.
Na esquerda, Alex Sandro e Douglas enfrentaram uma concorrência mais fraca. Caio Henrique foi quem mais atuou por este lado sob o comando de Ancelotti: quatro partidas. Mas não apresentou a mesma regularidade no saldo entre os momentos ofensivos e defensivos que a dupla de Flamengo e Zenit. Carlos Augusto ainda menos. Não aproveitou sua única oportunidade como titular (na derrota por 3 a 2 para o Japão).
Só que, apesar de terem se saído melhor na comparação com quem vai ficar de fora, a verdade é que nenhum dos dois mais cotados a estar na Copa passam confiança à torcida. Alex Sandro é titular no Flamengo campeão brasileiro e da Libertadores. Mas convive com o fantasma das lesões. Já Douglas atua numa liga menos competitiva e, ao contrário de seu companheiro de Zenit Luiz Henrique, não brilhou com a Amarelinha. Apenas não comprometeu.
Este cenário inevitavelmente abre espaço para questionamentos sobre o porquê de alguns jogadores sequer terem recebido uma chance com Ancelotti. Como Alex Telles, do Botafogo, companheiro de Alex Sandro na seleção em 2022. O que mostra como a falta de dúvidas sobre quem serão os laterais convocados está longe de significar falta de debate.
