Da fome à soberania: o que Lula já defendeu na ONU desde 2003 e o que deve dizer nesta terça

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta terça-feira da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, naquela que será sua décima participação na abertura do debate geral da organização. A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, o petista volta à tribuna em um momento de tensão com o governo dos Estados Unidos, sob o receio de interferência externa no processo eleitoral brasileiro. Como ocorre tradicionalmente desde 1955, o Brasil será o primeiro país a discursar no debate geral, seguido pelos Estados Unidos, representados pelo presidente Donald Trump. Antes de subir à tribuna, Lula terá um breve encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

No discurso desta terça-feira, Lula deve fazer uma defesa da soberania brasileira e recados contra tentativas de interferência externa nas instituições democráticas e nas eleições do país, sem ataques ou referências nominais. A tendência é que o presidente também defenda reformas no Conselho de Segurança da ONU. A linha da fala é semelhante ao discurso feito na abertura da Assembleia no ano passado. Lula criticou o enfraquecimento do multilateralismo e defendeu a democracia brasileira, pregando a soberania do país.

Na ocasião, o presidente defendeu a regulação de plataformas digitais e cobrou maiores esforços das nações para combater o aquecimento global. Veja os temas já tratados por Lula Primeiros discursos: combate à fome e reforma da ONU: Desde sua primeira participação na ONU, Lula buscou projetar o Brasil como ator global. No discurso inaugural, lançou a iniciativa “Ação contra a Fome e a Pobreza”, destinada a articular financiamento internacional inovador para enfrentar a insegurança alimentar. Defendeu ainda a reforma da ONU e do Conselho de Segurança, a ampliação da voz dos países em desenvolvimento e o fortalecimento do multilateralismo em contraponto às guerras unilaterais, como a do Iraque. Segundo mandato: potência emergente e nova governança financeira No segundo mandato (2007-2010), em meio ao crescimento econômico e à diplomacia ativa, Lula destacou a necessidade de uma nova governança financeira internacional, sobretudo após a crise de 2008. Defendeu maior representação do Sul Global em fóruns como o G20, o FMI e o Banco Mundial. Reforçou também a defesa de uma ordem multipolar, do desarmamento nuclear e da solução pacífica de conflitos. Retorno em 2023: clima, fome e desigualdade global De volta à ONU em 2023, após 14 anos, Lula colocou em destaque a crise climática, o combate à fome e a crítica à desigualdade global. Ressaltou a importância da Amazônia como patrimônio da humanidade e denunciou a concentração de riqueza e poder em poucas nações e empresas. Discurso de 2024: reforma e democracia No ano seguinte, manteve a ênfase na reforma da governança mundial, especialmente do Conselho de Segurança da ONU, e ampliou o escopo do discurso ao incluir o enfrentamento da desinformação, do extremismo e da erosão democrática. Ao longo do terceiro mandato, Lula tem buscado reposicionar o Brasil como voz de liderança do Sul Global na defesa do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável.

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