Da descoberta num churrasco à chance repentina: conheça Luzia Nezzo, nova candidata à 'muralha' da seleção de vôlei

Da descoberta num churrasco à chance repentina: conheça Luzia Nezzo, nova candidata à 'muralha' da seleção de vôlei - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Os fãs de vôlei que acompanharem a estreia da seleção brasileira feminina no Sul-Americano, nesta terça, contra a Venezuela, no Maracanãzinho, às 20h (com transmissão do SporTV) — torneio que dá vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028 —, se depararão com uma nova “muralha” erguida no time comandado por José Roberto Guimarães. Trata-se da novata Luzia Nezzo, de 22 anos, que ganhou o apelido dos torcedores pelos 1,99 m de altura aliados ao destaque no bloqueio. Cena impactante: Piloto perde controle de Porsche em curva perigosa, carro é lançado para fora da pista e se parte ao meio Ex-chefão da Fórmula 1: Bernie Ecclestone é detido em Portugal após ser encontrado com espingarda em jato particular A central conquistou seu espaço com boas atuações na última VNL. Luzia entrou no lugar de Júlia Kudiess, que se machucou e se recupera de uma cirurgia no joelho esquerdo. Ela aproveitou a chance ao se sobressair nas partidas contra a China (fase final) e o Japão (quartas de final). — Sempre sonhei em ser titular na seleção. Não esperava que seria dessa maneira, infelizmente, com a lesão da Júlia. Mas quis aproveitar minha oportunidade e tentar dar o melhor para o grupo. Eu sempre penso em me divertir fazendo o que amo, mas sabia que tinha uma responsabilidade com tudo isso — conta Luzia. — Estou encarando esta fase como uma oportunidade de estar dentro de quadra. Acho que agora estou aprendendo as coisas do momento que eu estou vivendo. E, no futuro, quem sabe eu possa seguir na seleção e conseguir jogar mais jogos. Para Zé Roberto, Luzia está no caminho certo, mas precisa focar na parte física para se deslocar cada vez mais rápido e também melhorar o equilíbrio e a potência em suas principais jogadas. Ao GLOBO, o treinador afirmou que a tendência é que, após o desempenho na VNL, ela seja titular neste Sul-Americano, onde não poderá contar com a levantadora Macris, que pediu dispensa por estar grávida, e tem Gabi, recuperando-se de lesão na lombar como dúvida. — Quero ter força máxima sim. Não é o momento de fazer experiências. Temos de ter cabeça e foco para fazermos o nosso melhor e lutarmos muito pela nossa classificação para Los Angeles — disse o treinador. Luzia Nezzo, no bloqueio com Rosamaria, em jogo da seleção brasileira adulta, na VNL 2026 Divulgação VNL Apesar de novata, Luzia é “velha conhecida” de Zé Roberto. Ela começou a jogar vôlei nas categorias de base do Londrina e, logo depois, seguiu para o Paulistano/Barueri, onde se destacou na base e na equipe profissional. Zé Roberto é o fundador e treinador do Barueri, equipe que tem como uma de suas marcas o investimento em novos talentos. — Trabalho com o Zé desde o sub-17 e fui para a seleção adulta muito cedo. Então acho que eu sei o que ele espera de mim — explicou. O encontro com o vôlei foi por acaso. Luzia nem pensava em seguir carreira no esporte, muito menos na modalidade. Foi descoberta em um churrasco. Impressionado com a altura da então adolescente, o treinador Ney Inácio da Silva foi até a casa dela para convencer a mãe a deixá-la experimentar o vôlei. — O Ney apareceu na minha casa em um dia que eu não estava, tinha ido dormir na casa de uma amiga. Eu fiquei um pouco surpresa quando a minha mãe me ligou falando que tinha alguém na porta pedindo para eu virar atleta de vôlei. Foi bem engraçado. Tenho até hoje a memória da minha mãe me ligando... Eu sempre penso nisso, em quão engraçado foi e como foi do nada. Eu nem gostava de esporte, aprendi a gostar e foi na marra mesmo — lembra Luzia. — O Ney me buscava no fim de semana para ir jogar em campeonatos perto da minha cidade. Ele sempre me colocou muito dentro de quadra. O caminho até a seleção foi rápido. Na base, Luzia foi campeã do Sul-Americano Sub-21 de 2022 e medalhista de bronze no Campeonato Mundial Sub-21 de 2023. Nesta última competição, foi eleita a melhor central do torneio. Em 2023, também atuou nos Jogos Pan-Americanos de Santiago com uma seleção adulta mesclada. Pela equipe principal, foi convocada para a VNL em 2024, mas atuou pouco, diferentemente da edição deste ano. O objetivo maior agora é Los Angeles-2028. A seleção campeã do Sul-Americano, disputado em pontos corridos, garante classificação. As equipes que ficarem em segundo e terceiro lugares se garantirão no Mundial de 2027, que distribuirá três vagas para a Olimpíada — outras três serão definidas pelo ranking mundial. Luzia espera aproveitar a oportunidade e conquistar seu espaço no meio de rede. — Fiz parte do ciclo de Paris-2024 muito tarde e com certeza estava ali para aprender. Sabia que para 2028 eu teria uma chance a mais. Então, não consigo focar muito em 2032 (em Brisbane, Austrália), sabendo que tenho essa chance agora. Quero pensar no agora, nesse Sul-Americano que é importantíssimo para a classificação. Curiosamente, Luzia também substituirá Júlia na temporada de clubes. A central já havia sido contratada pelo Minas para a temporada 2026/2027 exatamente para ocupar a vaga de Júlia, que havia acertado sua transferência para o Novara, da Itália, antes de se lesionar. A relação entre as duas é de admiração por parte de Luzia: — Para mim, a Júlia é a melhor central do mundo. Em 2024, ela voltou muito bem após uma lesão, com muita força, muito foco. O trabalho dela na recuperação foi incrível. Então, tenho certeza de que ela voltará muito bem agora. Eu uso o exemplo dela para o meu dia a dia, ver o quão forte e o quão esforçada ela é. Espero conseguir ser do mesmo jeito.

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