O exbanqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria conhecido Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", em uma academia em Belo Horizonte “há muitos anos” e, mais tarde, o teria contratado para serviços de segurança digital, com “combate às campanhas difamatórias”, segurança física e “atuações diante de extorsões” que dizia sofrer. Segundo sua defesa, Mourão afirmava contar com uma equipe de policiais e ex-policiais e ter acesso a “informações e documentos privilegiados”. Leia mais: A relação é detalhada em uma petição apresentada pela defesa de Vorcaro ao Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados afirmam que, “em várias ocasiões, mesmo sem ser solicitado, Mourão abastecia Daniel Vorcaro com informações privilegiadas” que dizia obter por meio de contatos com policiais. Na mesma manifestação, a defesa registra, porém, que as investigações apontaram outra forma de obtenção dessas informações. Segundo a petição, as apurações constataram contatos “também através da invasão de sistemas oficiais”. Vorcaro e Mourão teriam se conhecido, ainda de acordo com a versão da defesa de do ex-banqueiro, em uma academia em Belo Horizonte, mas, segundo seus advogados, não mantinham uma relação de intimidade naquela época. Vorcaro saberia apenas que Mourão era conhecido na cidade por seus contatos com policiais. A pessoa mais próxima dele seria seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel. A defesa afirma que Mourão era conhecido na época como “Mexerica”. Já “Sicário”, outro apelido pelo qual passou a ser chamado, teria sido dado por Zettel “em tom jocoso”, porque Mourão “se gabava de manter contatos com vários policiais”. Tal relação profissional teria começado anos depois. Segundo os advogados, a partir de 2020, quando Vorcaro assumiu o controle do Master, o ex-banqueiro teria passado a enfrentar o que a defesa descreve como ataques na mídia e campanhas de notícias falsas. Com o aumento de sua exposição e por ser conhecido como uma pessoa de patrimônio relevante, teria também passado a ser alvo de ameaças e tentativas de extorsão, conforme explicação de seus advogados na petição. Teria sido nesse contexto que, há aproximadamente dois anos, ainda segundo seus advogados, Zettel teria sugerido que Vorcaro procurasse Mourão. A defesa diz que ele passou então a prestar os três tipos de serviço. No caso da segurança digital, a atuação incluía a identificação de perfis que, na avaliação de Vorcaro, praticavam crimes contra sua honra e o reporte às autoridades. Os serviços de segurança física, segundo a petição, teriam sido utilizados apenas duas vezes, durante eventos no Rio de Janeiro. Nas situações que envolviam supostas extorsões, Mourão dizia dispor de uma “equipe de policiais e ex-policiais” capaz de tomar providências, segundo a defesa. A petição afirma que Vorcaro tratava diretamente com Mourão e não tinha contato com os integrantes dessa suposta equipe, com raras exceções, dizem. Os advogados sustentam que Vorcaro jamais contratou Mourão para adotar medidas físicas contra terceiros. Segundo a defesa, quando o ex-banqueiro relatava algum problema, Mourão afirmava que levaria a informação a seus contatos policiais para que fossem tomadas providências. A defesa admite, no entanto, que a relação ia além das demandas feitas por Vorcaro. Segundo os advogados, Mourão também procurava o ex-banqueiro por iniciativa própria para repassar informações que dizia obter de seus contatos. É nesse ponto que a própria petição registra que a investigação identificou obtenção de dados também por meio da “invasão de sistemas oficiais”. A versão apresentada pela defesa contrasta com mensagens entre Vorcaro e Mourão reunidas pela Polícia Federal e publicados ontem pelo Valor. Em junho de 2024, Mourão disse ao então controlador do Master que poderia acrescentar outros nomes “pra puxar os sigilosos”. Vorcaro respondeu que queria “todos, obviamente”. Em outra mensagem, Mourão escreveu “apaga depois viu” antes de encaminhar um arquivo e, no dia seguinte, afirmou estar com “acesso total e ilimitado” ao sistema do Ministério Público Federal (MPF). Em outra troca de mensagens, de julho de 2025, Mourão encaminhou a Vorcaro informações obtidas a partir de uma consulta feita com o CPF do ex-banqueiro, que localizou 15 procedimentos relacionados a ele, dos quais 11 estavam sob sigilo. Também foi feita uma pesquisa pelos termos “BRB AND MASTER”. Ao receber o levantamento, Vorcaro respondeu “Quero tudo. Atenção total”. Mourão afirmou então que mandaria “puxar geral”.
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Da academia às informações privilegiadas, defesa de Vorcaro explica relação com Sicário
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