A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu acusar a antiga Reag Trust e cinco executivos em novo processo sancionador sobre falhas na prevenção à lavagem de dinheiro e irregularidades no fundo Location, que foi alvo da Operação Carbono Oculto, apurou a coluna. Os acusados serão formalmente notificados nos próximos dias.
Estão sendo acusados a Apock Trust, novo nome da Reag Trust, e quatro executivos que trabalhavam no comando da companhia (Ramon Dantas, Marcos Baptista, Silvano Gersztel e Leonardo Carvalho), além de Octávio Pires, que trabalha em gestora que absorveu diversos fundos da antiga Reag.
A CVM vem recebendo denúncias sobre falhas nos controles contra lavagem de dinheiro da Reag pelo menos desde 2024. Reportagem do Estado de S.
Paulo mostrou no ano passado que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, provocou a CVM quando investigava suposta participação da Reag na lavagem de dinheiro de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. Primo era dono da distribuidora de combustíveis Copape e acusado de ser um dos chefes de organização criminosa que tinha elos com o PCC.
Ele foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025. Foi essa operação que mostrou como o PCC supostamente lavava dinheiro por meio de fundos de investimento administrados por empresas como a Reag.
O FIP Location, um dos alvos do novo processo da CVM, foi um dos principais investigados pela Carbono Oculto. Foi por meio desse fundo que foram utilizadas estruturas para a aquisição das distribuidoras de combustíveis Copape e Aster, usadas pelos empresários investigados na Operação Carbono Oculto.
Na terça-feira, a CVM julgou outro processo envolvendo a Reag cuja existência foi revelada pela coluna. O colegiado do órgão condenou a Reag Trust a pagar multa de R$ 750 mil por falhas nos controles internos, e o ex-diretor Ramon Dantas — também acusado no novo processo — foi condenado a uma multa de R$ 375 mil.
O Globo