Cury evita tomar lado em briga no STF e defende que Fachin vá até 'últimas consequências'

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Fonte da notícia: Valor Valor

O candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, evitou tomar lado no embate entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Alexandre de Moraes, adotando a estratégia de defender uma saída institucional para a crise e pregar mudanças nos critérios de indicação e permanência na Corte.

Ao participar hoje de encontro com clientes da Genial Investimentos, na Faria Lima, em São Paulo, o presidenciável voltou a se dizer favorável ao avanço das investigações, "doa a quem doer", e afirmou esperar que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, "vá até as últimas consequências". Leia mais

A campanha de Cury avalia que ele, que está em terceiro lugar nas pesquisas, deve manter o discurso crítico à polarização e evitar atrair rejeição, caso assuma uma posição mais categórica sobre o conflito no STF. O candidato tem repetido que não fará "juízo prévio" sobre a conduta de ministros.

Questionado no evento sobre um eventual impeachment de Moraes, o presidenciável do Avante não descartou a possibilidade e disse que o ministro, como todas as demais autoridades, deve se submeter ao crivo das investigações. "Se ele não deve, ele continua. Se deve, deve ser 'impeachmado'. Nenhum ministro está acima da lei."

Ele usou os termos "vergonha" e "promiscuidade" para se referir aos últimos episódios do STF, mas colocou em xeque a capacidade de serem dadas respostas. "Tem que ser rápido, célere, o mais rápido possível. O país precisa ser passado a limpo. Honestamente dizendo, do jeito que está, eu não sei se isso vai ser levado até as últimas consequências", disse.

Cury propõe o fim do mandato vitalício para ministros do Supremo, com período restrito a no máximo oito anos, e afirma que, se eleito, vai instituir regras para barrar interferências políticas e aumentar a independência dos magistrados, como uma quarentena para indicados que tenham sido filiados a partidos.

No evento da Genial, o presidenciável voltou a criticar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela "irresponsabilidade fiscal altíssima". Indagado sobre como conciliaria o corte de gastos com as políticas sociais que diz levar "no coração", Cury foi evasivo. "Se eu tivesse todas as respostas, nós teríamos um país completamente isento de problemas", disse.

Diante de perguntas sobre como equilibrar a situação fiscal e fazer ajustes para atender a setores prejudicados pelo eventual fim da escala 6x1, o candidato disse que precisa "estudar antes" os temas e fazer auditorias nos números do governo federal para encaminhar soluções. "Não quero dar respostas prontas."

Cury citou uma série de economistas, políticos e especialistas, ao ser questionado sobre quem poderia compor seu governo e eventualmente assumir o Ministério da Fazenda, mas justificou que ainda não tem um nome para a área econômica porque as pessoas que pensa em convidar estão hoje comprometidas com outras funções.

O presidenciável falou em medidas como taxação das "bets" para alcançar a meta de déficit zero, declarou que "toda empresa estatal ineficiente tem que ser privatizada" e disse que a reforma tributária exige ajustes para que pequenas empresas não sejam prejudicadas pelos impactos.

Durante o encontro, Cury rejeitou a hipótese de apoiar Lula em eventual segundo turno e disse que só endossaria Flávio Bolsonaro (PL) se o senador conseguir "provar que não é corrupto". Segundo ele, no entanto, Flávio "está atolado" no escândalo do Banco Master. "Ele vai ter que se explicar muito, agora, se ele se explicar, acho que todo mundo apoia. Se explicar bem, claro [que o apoio]", afirmou.

Antes de Cury, a Genial já recebeu para eventos semelhantes os presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Os candidatos são questionados sobre o cenário político brasileiro, os principais desafios do país e as perspectivas para os próximos anos.

Na quarta-feira (9), o candidato do Avante foi recebido na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para um café com o presidente da entidade, Paulo Skaf. O presidenciável já fez elogios ao dirigente e disse que gostaria de contar com ele no governo, caso eleito. Cury disse endossar um manifesto que tem a Fiesp entre os signatários e pede que o STF examine, sem corporativismo, os fatos sob suspeita.

O candidato do Avante também se reuniu nesta semana com representantes da Galápagos Capital, na terça-feira (8). Segundo a campanha, o encontro "integrou a agenda de interlocução da campanha com o mercado financeiro e empresarial", com discussões sobre temas ligados à geração de empregos, empreendedorismo, inovação e responsabilidade fiscal.

Após a reunião, Cury disse que um dos temas abordados com a Galápagos foi a taxa de juros "insuportável" em vigor no país, que tem afetado empresas, comércios e famílias. "O Brasil tem que ser responsável fiscalmente. O governo brasileiro tem que ser mais enxuto, mais eficiente", afirmou, ao defender o corte de cargos comissionados e medidas para aumentar a produtividade da economia, a fim de compensar deficiências futuras na Previdência Social.

Segundo pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (7), Lula tem 36% das intenções de voto, seguido por Flávio, com 29%, e Cury, com 8%. Em eventual segundo turno, o candidato à reeleição está empatado com o nome do PL, com 41%

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