NOVA DÉLHI - Neste sábado (12), primeiro dia oficial da 18ª Cúpula do BRICS, em Nova Délhi, na Índia, os líderes dos 11 países que compõem o bloco aprovaram uma declaração conjunta de 45 páginas que reafirma a defesa de uma ordem internacional multipolar, e, entre outras afirmações, cobra a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU).
O documento, batizado de Declaração de Nova Délhi, marca os 20 anos do Brics e estabelece uma agenda comum sob o tema “Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade” além de ser o principal resultado político do primeiro dia da cúpula.
Além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, participaram do encontro Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã, Indonésia e Arábia Saudita. O texto também endurece o discurso dos aliados contra tarifas unilaterais, sanções econômicas e medidas protecionistas.
O papel dos países parceiros foi reforçado pelo acordo, com o intuito de ampliar a estratégia do bloco de atuar como porta-voz do hemisfério sul global.
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Reformas Um dos pontos centrais do acordo é a defesa da reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Os líderes do Brics afirmaram que “a estrutura atual já não representa a realidade geopolítica contemporânea” e pediram por uma maior participação de países em desenvolvimento, especialmente da África, Ásia e América Latina, nos espaços de decisão internacionais.
O documento registra ainda um interesse diplomático que mostra a relevância do Brasil neste cenário político.
“China e Rússia reiteraram apoio explícito às aspirações de Brasil e Índia de exercerem um papel mais relevante nas Nações Unidas, inclusive por meio de um assento permanente em um Conselho de Segurança reformado”, afirma o documento.
No âmbito econômico, o Brics adotou uma das posições mais firmes dos últimos anos contra o avanço do protecionismo comercial.
Sem citar países específicos, a declaração condena o aumento de tarifas e barreiras não tarifárias consideradas incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), argumentando que essas medidas ameaçam cadeias globais de suprimentos e ampliam desigualdades econômicas.
“Expressamos séria preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da OMC”, diz a declaração.
Os líderes também defenderam a restauração completa do sistema de solução de controvérsias da OMC, incluindo a retomada do Órgão de Apelação, atualmente em hiato, e voltaram a exigir reformas no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial para ampliar o poder de voto das economias emergentes.
Conflitos Além disso, o bloco reafirmou ainda o posicionamento de que conflitos devem ser resolvidos por diálogo e diplomacia, defendendo o fortalecimento do multilateralismo como instrumento de prevenção de guerras.
Sobre o Oriente Médio, a declaração pede a manutenção do cessar-fogo em Gaza, exige acesso humanitário irrestrito à população palestina e reafirma apoio à solução de dois Estados, com a Palestina soberana e Jerusalém Oriental como capital.
O texto também rejeita qualquer deslocamento forçado de palestinos e condena ataques contra civis e infraestrutura humanitária.
Em outro trecho, os líderes condenaram de forma explícita o atentado terrorista ocorrido em Jammu e Caxemira, em abril de 2025, que matou 26 pessoas, e defenderam “tolerância zero” ao terrorismo, independentemente de motivação política, religiosa ou nacional.
Cooperação A declaração também inaugura novas iniciativas de cooperação prática entre os membros. Na saúde, o Brics criou um subgrupo para desenvolver um sistema integrado de alerta precoce para epidemias e lançou uma missão conjunta de promoção de estilos de vida saudáveis, além de uma rede de centros de excelência em saúde mental coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental da Índia (NIMHANS).
Em tecnologia, os países assumiram o compromisso de implementar uma governança internacional para a inteligência artificial baseada em segurança, inclusão e acesso equitativo, reconhecendo o potencial da IA para impulsionar o desenvolvimento do sul global.
A declaração também apoia uma maior integração digital, pesquisa científica conjunta e infraestrutura tecnológica compartilhada entre os membros.
*A repórter viajou a convite da Embaixada da Índia no Brasil
Folha de Pernambuco