Cuba denuncia ação dos EUA na ONU antes de votação sobre bloqueio

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O representante permanente de Cuba na Organização das Nações Unidas (ONU), Ernesto Soberón Guzmán, criticou os Estados Unidos por promover um evento nas instalações da entidade para atacar o governo cubano e desviar a atenção dos efeitos do bloqueio econômico imposto à ilha.

Segundo a teleSUR, a denúncia ocorre antes do debate na Assembleia Geral sobre a resolução que pede o fim das restrições econômicas, comerciais e financeiras mantidas por Washington há mais de seis décadas.

De acordo com a reportagem, o diplomata afirmou que a atividade organizada pela missão norte-americana desrespeitou as normas da sede da ONU. Soberón classificou a reunião como “um encontro clandestino completamente alheio à agenda da ONU” e criticou o Secretariado da organização por permitir sua realização, apesar dos alertas apresentados pela delegação cubana.

Os Estados Unidos convidaram um grupo restrito de países para participar de uma iniciativa destinada a disseminar informações falsas sobre Cuba. Ele também acusou integrantes do painel de receber financiamento do Departamento de Estado norte-americano e de possuir antecedentes criminais ou vínculos com organizações responsáveis por ataques contra cubanos.

Essas acusações foram apresentadas pelo representante de Cuba como parte de sua contestação ao evento promovido pela missão dos EUA.

“Essa farsa é uma tentativa de desviar a atenção de um fato simples: os Estados Unidos estão agindo como um criminoso internacional, impondo punição coletiva ao povo cubano. Estão infligindo imenso sofrimento a toda a população de uma nação pacífica”, declarou Soberón.

Disputa antecede debate sobre o bloqueio

O centro da denúncia cubana é a proximidade entre a realização do evento e a discussão sobre o bloqueio na Assembleia Geral. Conforme a teleSUR, o exame da resolução está previsto para os dias 27 e 28 de outubro, quando o tema será abordado pela 34ª vez no fórum.

Soberón sustentou que Washington procura instrumentalizar a pauta dos direitos humanos para interferir na soberania e na autodeterminação de Cuba. Segundo ele, a iniciativa também busca enfraquecer a ordem constitucional cubana e encobrir as consequências da política de pressão econômica aplicada pelos Estados Unidos.

Ao defender a discussão na Assembleia Geral, o embaixador contrapôs o caráter restrito da reunião organizada pela missão norte-americana ao debate aberto aos países que integram a ONU. O diplomata afirmou esperar novo apoio majoritário à posição cubana contra o bloqueio.

“O governo dos Estados Unidos sabe muito bem que a grande maioria dos países apoiará novamente nossa reivindicação, porque Cuba não é uma ameaça, o bloqueio é”, afirmou.

Embaixador reafirma posição de Havana

A manifestação concentra a reação de Havana em dois pontos: a contestação ao uso das instalações das Nações Unidas para o evento e a defesa do fim das restrições norte-americanas. Para a representação cubana, a iniciativa dos EUA integra uma estratégia de pressão política associada às medidas econômicas contra o país.

Ao encerrar sua declaração, Soberón reafirmou que o governo cubano manterá sua posição diante das ações de Washington.

“Se alguém no governo dos EUA pensa que pode quebrar a determinação e a unidade do povo cubano, está desperdiçando seu tempo, seus esforços e uma quantidade considerável de recursos. Jamais nos curvaremos. Não nos renderemos.”

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