Partidos árabes conquistam 19 cadeiras e podem decidir formação do próximo governo de Israel As recentes eleições de Israel produziram um dos resultados mais marcantes da história política recente do país: os partidos que representam a maioria árabe conquistaram a maior representação já registrada na Knesset, emergindo como o fiel da balança.
Com cerca de 90% dos votos apurados, Ra’am e a Lista Conjunta devem conquistar 19 das 120 cadeiras do Parlamento, acima do recorde anterior de 15 cadeiras obtido em 2020. O resultado é consequência de uma participação eleitoral excepcionalmente alta entre os eleitores árabes e pode lhes dar influência decisiva na formação do próximo governo.
Os cidadãos árabes, que representam aproximadamente um quinto da população, elegeram seus representantes e agora talvez possam decidir quem será o próximo primeiro-ministro. Em um momento em que Israel é frequentemente acusado no exterior de negar igualdade política aos palestinos, a participação e a influência dos cidadãos árabes dentro do sistema parlamentar israelense ganham especial relevância, esvaziando as acusações de prática de apartheid.
Ao mesmo tempo, a eleição expôs uma tensão política mais profunda: embora os cidadãos árabes sejam amplamente aceitos como eleitores e membros do parlamento, ainda existe ampla resistência entre os partidos judaicos à ideia de que partidos árabes possam exercer papel decisivo na formação ou sustentação de um governo.
O bloco governamental obteve 55 cadeiras e a oposição 48. E nenhum dos dois pode alcançar as 61 cadeiras necessárias, sem a participação dos partidos árabes.
Mansour Abbas, líder do partido islâmico Ra’am, já afirmou estar disposto a participar de uma coalizão viável. Em 2021, o Ra’am tornou-se o primeiro partido árabe independente a integrar uma coalizão de governo em Israel, contribuindo para a formação do governo Bennett-Lapid.
O próprio Netanyahu havia anteriormente considerado uma cooperação com Abbas. O ambiente político, porém, mudou radicalmente após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023.
A desconfiança em relação aos partidos árabes aumentou, sobretudo em temas relacionados à segurança nacional, ao sionismo e ao caráter judaico do Estado. Eisenkot, líder do partido mais votado da oposição, tem resistido à possibilidade de depender desses partidos para formar maioria, mesmo que esse apoio possa ser essencial para que seu campo consiga substituir Netanyahu.
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O Antogonista