Zé Ricardo, o diretor artístico do Rock in Rio, foi um tanto generoso quando apresentou o Detonautas, segunda atração do Palco Sunset deste primeiro dia de Rock in Rio, como “uma das bandas mais importantes da história do rock brasileiro”. Mas, vá lá, o grupo liderado por Tico Santa Cruz teve, sim, sua relevância na safra de novas bandas que despontaram naquele Rio de Janeiro do início dos anos 2000. Nesta que foi a quinta apresentação deles no Rock in Rio, o quinteto jogou com o regulamento embaixo do braço: enfileirou alguns de seus hits – uma meia dúzia – no primeiro bloco do show.
Rock in Rio 2026: Acompanhe o primeiro dia do festival em tempo real O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Começou meio morno com “Potinho de veneno”, trabalho recente que ninguém cantou junto. Mas engrenou na terceira do setlist, “Quando o sol se for”, talvez a mais famosa da banda carioca que foi formada numa sala de bate-papo do UOL no final dos anos 1990. Boa estratégia para esquentar a plateia, já que as melhores (ou, pelo menos, as mais conhecidas) costumam ficar para o final.
À vontade num palco que ele conhece bem, Tico chegou vestindo uma jaqueta de oncinha estilosa, que ele deixou de lado na quarta música, “O retorno de Saturno”, faixa-título do disco de 2008. O sol ia se pondo na Cidade do Rock, 26°C no termômetro, eis que Tico tira também a camisa regata e pede palmas no ar. Foi o parcialmente atendido, já que muitas mãos se ocupavam com o celular no REC.
Veio, então, “O dia que não terminou”, dos versos “Meus olhos grandes de medo / Revelam a solução”. Outra das mais lembradas dos cariocas. Depois, um depoimento emocionado do vocalista: “Em 1985, queria ter vindo minha mãe não deixou eu vir. Em 1991, vi um show do Faith no More. E disse: um dia ainda vou conseguir tocar nesse festival. Em 2001, trabalhei como voluntário. Em 2011, toquei com o Detonautas”, lembrou. Seguiram com mais uma chiclete de rádio: “Olhos certos”, uma das mais melosas daquele disco de estreia de 2002, “Detonautas Roque Clube”. Não foi um grande coral da plateia, tampouco uma completa omissão.
E aí veio Biquíni Cavadão, convidada dos Detonautas. Com “Zé Ninguém”, do ótimo refrão “Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém Aqui embaixo as leis são diferentes”, cantado com empolgação pela galera do Sunset. Um dos pontos altos do show. O elétrico Bruno Gouveia, vocalista do Biquíni, emendou em “Chove chuva”, hino de Jorge Ben, em versão pop rock. “Biquini! Biquini!”, gritavam os presentes. Bruno ensaiou pulinhos para fazer sua mais conhecida, “Vento ventania”, que, com a licença de Tico Santa Cruz, e apesar de um baixo estourado nas caixas, foi a melhor do show. E ainda teve “Tédio”, outra pedra do Biquini, e que talvez as gerações mais novas se lembrem pela pornográfica versão de Mr. Catra. As duas bandas levaram juntas, mãozinhas para o ar, tudo dominado. Acabava ali a assertiva participação do Biquini, deixando no ar uma certa sensação de que o convidado brilhou mais que o anfitrião. Faz parte.
Onde e quando assistir ao Rock in Rio 2026? O Rock in Rio conta com transmissão ao vivo nos dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13 de setembro, a partir das 15h15, pelo Multishow, e a partir das 15h50, pelo Canal Bis. No feriado do dia 7, a transmissão começa às 14h45 no Multishow e às 16h20 no Canal Bis. O Globoplay oferecerá sinal aberto para acompanhar os cinco palcos do Rock in Rio todos os dias, a partir das 15h30. Assinantes do plano Premium da plataforma de streaming também terão acesso à transmissão do Multishow em 4K, por meio de um sinal extra. A TV Globo exibirá flashes durante a programação e um especial todas as noites — às sextas (4 e 11/9), após o Globo Repórter; aos sábados (5 e 12/9), após o Altas Horas; aos domingos (6 e 13/9), após o Boletim Estrelas da Casa, e na segunda (7/9), após o Jornal da Globo.
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