Crítica: Com pinta de gótico problemático e músicas de romântico inseguro, MGK não empolga público no Palco Mundo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A chuva já tinha parado de cair na Cidade do Rock quando MGK – sigla para Machine Gun Kelly – começou pontualmente seu show no Rock in Rio, o segundo do Palco Mundo neste sábado (5). O garoto-problema de 36 anos de Cleveland, nascido Colson Baker, entrou num climão explosivo, cantando “Fix ur face”, do seu álbum de estreia “Lace up” (2012).

O SEU ROCK IN RIO: MONTE O SEU LINE-UP IDEAL EM JOGO INTERATIVO Rock in Rio 2026: Acompanhe o segundo dia do festival em tempo real Galerias Relacionadas MGK, que herdou o apelido de um gângster americano dos anos 1930, é um camaleão do showbiz. Começou como rapper e, aos poucos, foi flutuando sua sonoridade nos mares do pop punk e do emo. É também um cara excêntrico, que bebia sangue da ex-namorada, a atriz Megan Fox, e que já tretou com vários de seus pares, como Eminem, que também é uma de suas referências.

Meio vampirão, um gótico moderno, sem camisa e com pinturas neon por cima das tatuagens blackout, ensaiou um português macarrônico – “Vambora, porra!”, antes de fazer “I’m think I’m ok”, e depois discursou: “Eu sei que há algumas pessoas no público que não entendem por que estamos aqui. Mas eu estou aqui para meus fãs (...) Mesmo que você não me ame, eu te amo”.

Depois serviu a plateia seu cardápio de melo-pop-punk, repertório muito influenciado pela parceria com Travis Baker, o baterista do Blink-182, que foi seu produtor em vários trabalhos recentes. Pegou um guitarra rosa e tocou “Bloody Valentine”, para, em seguida, acender um cigarro apertado que poderá ser o que o leitor imaginar.

Kelly tem pinta de bad boy barulhento e problematico, mas seu conjunto de canções dão pistas de que, na real, estamos diante de um romântico inseguro e esquisito. Uma obra que poderia facilmente ser trilha de uma série de acampamento teen. Com 30 minutos de show, a chuva já tinha voltado a cair, e fato é que o público não parecia muito empolgado, tampouco respondia com muito entusiasmo às várias tentativas do artista de se comunicar em inglês.

Entre uma música e outra, ele deu uns papos meio esquisitos, como se sentisse alguma culpa por estar ali.

“Eu nunca me senti como o melhor músico, eu nunca me senti como qualquer uma dessas coisas. Eu só queria encontrar uma comunidade que eu nunca tive”, refletiu. Bota boné, tira boné, lá pelas tantas vestiu o torso nu com uma regatinha e fez piadas sobre seus mamilos descobertos: "Vou esconder meus peitos para que vocês me mostrem o de vocês". Ninguém riu. Mas MGK seguiu defendendo o seu lá de cima, uma palavrinha ali, outra aqui, e um melopunk atrás do outro também, consolidando um show que, de uma vez por todas, o afasta da skin de rapper formada no início da carreira.

O cigarro já tinha ido pro chão quando tocou “In these walls (my house)”. Mas disse que bateria tinha entrado errado e mandou começar de novo. Findada a canção, desceu do palco pra dar um alô na galera, mas foi jogo rápido.

Logo já estava de volta para tocar “Vampire diaries”, e dançá-la também, ao lado de algumas poucas bailarinas que o acompanhavam. Botou boné, tirou camisa, pediu às mulheres da plateia que fizessem barulho. Fez mais uma, deitou no chão, subiu a cueca que estava caindo, anunciou novo álbum, e se despediu de maneira abrupta, nonsense, do nada: “Vou fumar mais uns cigarros, tchau!”.

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