O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5) em meio à crise do banco digital Ueno, do qual foi acionista do grupo controlador até 2025. Ele enfrentava um processo de impeachment por suspeitas de conflito de interesses e irregularidades ligadas à instituição, que encerrou suas atividades nesta semana.
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Em entrevista ao CBN Brasil, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, explicou que a renúncia não encerra a crise, que ainda deve provocar consequências econômicas e políticas no país. A especialista destacou que o país vinha buscando atrair empresários, inclusive brasileiros, interessados em expandir os negócios na região.
Com a crise financeira, no entanto, investidores podem retirar recursos e reduzir novos aportes. "Essa instabilidade econômica, essa crise econômica, essa quebra vai deixar o país numa situação bastante delicada economicamente, porque, rapidamente, os investidores devem retirar os seus investimentos do país, e o país, por um tempo, não vai mais atrair investidores e empresários.
Portanto, é uma crise que apenas está começando, e ela esbarra, ela transborda para o cenário político." Regiane Bressan também avaliou os possíveis impactos da renúncia nas relações entre Brasil e Paraguai.
Segundo ela, o país vinha mantendo uma relação próxima com os Estados Unidos, enquanto o Brasil busca preservar uma política de diálogo com os vizinhos e de aproximação com o Sul Global e a China. "Os Estados Unidos agora têm muito menos força no âmbito regional, vai precisar, por exemplo, de novas anuências do seu Congresso para tarifas, para retaliações, como ele vinha aplicando e, por sua vez, o Paraguai se encontra nessa crise doméstica que ainda está começando, ou seja, ainda tem um pouco de chão para percorrermos e entender o que vai restar dessa crise para o Paraguai."
CBN