Criança morre após carro elétrico avançar em estacionamento em Londres; pai nega imprudência
Uma criança de cinco anos morreu e outra ficou gravemente ferida depois que um carro elétrico teria acelerado de forma repentina em um estacionamento no sul de Londres. O episódio ocorreu em novembro de 2022, em frente ao prédio onde a família morava, próximo à estação London Bridge, e nos últimos dias está sendo analisado pela Justiça britânica.
Segundo o que foi relatado ao tribunal de Old Bailey, Ashenafei Demisse, de 52 anos, estava sentado em seu Volkswagen ID.4 quando ofereceu doces ao menino Fareed, amigo próximo da família. No local também estavam a mãe da criança, Maryam Lemulu, a esposa de Demisse, Yodit Samuel, e o filho do casal, Raphael, de 12 anos.
Versões opostas sobre o que causou a aceleração
De acordo com a promotoria, o veículo acelerou de forma abrupta e atingiu Fareed e Raphael, além de colidir com outros cinco carros antes de parar. Fareed foi levado às pressas ao Hospital Guy’s, nas proximidades, mas morreu pouco depois em decorrência de múltiplos traumatismos, incluindo fratura no crânio. Raphael ficou internado por cerca de um mês, com as duas pernas quebradas.
O promotor Michael Williams afirmou ao júri que não foram encontradas evidências de defeito mecânico ou eletrônico no automóvel. Uma investigação policial, segundo ele, concluiu que o carro só poderia ter acelerado mediante intervenção do motorista. Para a acusação, Demisse pressionou acidentalmente o acelerador, acreditando estar acionando o freio, fazendo com que o veículo atingisse velocidade próxima ao máximo.
A defesa contesta essa versão. O advogado Stephen Knight disse ao tribunal que Demisse não pressionou o acelerador e sustentou que o carro “se moveu por conta própria”, sem qualquer ação do motorista. Demisse responde por acusações de causar morte e ferimentos graves por direção imprudente ou negligente, o que ele nega.
Em depoimento lido no tribunal, Maryam Lemulu afirmou que o carro avançou de repente, sem ruído, e em alta velocidade. Yodit Samuel, esposa do réu, declarou que também viu o veículo arrancar rapidamente, sem lembrar de barulho de motor, e ressaltou que Demisse trabalhava como motorista de táxi havia muitos anos. O julgamento segue em andamento no Old Bailey.
