O dólar abriu a sexta-feira em alta após o relatório de criação de emprego nos EUA (payroll) mostrar a abertura de 162 mil vagas no mês passado no país. A expectativa de mercado era de criação de 53 mil. Com o avanço bem acima do esperado, a leitura dos investidores é de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) dedique toda sua atenção à inflação, já que o mercado de trabalho demonstra resiliência. Declarações duras do presidente do Fed, Kevin Warsh, demonstram incômodo com a trajetória do aumento de preços, somado a este dado mais forte desta sexta-feira, sugerem uma alta de juro pelo BC americano na reunião deste mês, no dia 16. O juro americano funciona como um ímã do capital global: se sobe, os investidores preferem aportar parte dos seus investimentos nos títulos do Tesouro Americano em detrimento de outras aplicações mundo afora. Isso também fortalece o valor dólar. Por volta de meio-dia, o dólar subia 0,26%, aos R$ 5,12. Na plataforma FedWatch, do CME Group, que estima o rumo da taxa americana através de contratos negociados no mercaod, a previsão era de 60% de alta em 0,25 ponto e 40% de manutenção no atual patamar, na banda entre 3,5% e 3,75%. Ontem, a estimativa era de 50% para manutenção e 50% para um aperto monetário. A partir dessa leitura, o Ibovespa firmou queda na abertura da sessão desta sexta-feira. Perto do meio-dia, o índice recuava 0,4%, aos 184.412 pontos. — O mercado financeiro vai fazer a leitura de que, com mercado de trabalho (nos EUA) forte, a gente teria mais juros do BC subir juros em breve nos EUA — diz Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra Investimentos, atribuindo também à possibilidade de elevação o fato do petróleo ter operado num patamar mais elevado em agosto, o que deve impactar a inflação no curto prazo por lá. A avaliação era semelhante a de Felipe Mecchi, economista do C6 Bank. Para ele, o cenário de mercado de trabalho resiliente e inflação pressionada deve fazer com que o Fed volte a subir os juros na reunião deste mês. Os juros futuros também apresentavam alta ao longo de toda a curva após a divulgação do payroll.
As Bolsas de Nova York também operavam no vermelho na manhã desta sexta-feira após dados de mercado de trabalho pesarem sobre as expectativas de manutenção no juro americano na reunião deste mês. Também perto do meio-dia, o índice Dow Jones caía 0,57%, aos 53.373 pontos; O S&P 500 caía 0,4%, aos 7.717 pontos e o Nasdaq perdia 0,31%, aos 26.498 pontos. A criação de empregos nos EUA acelerou em agosto e a taxa de desemprego permaneceu estável, sugerindo que o mercado de trabalho tem mais força do que se imaginava anteriormente. — Os dados de hoje foram fortes, e poderíamos ver os mercados adotarem uma abordagem de ‘reagir primeiro, fazer perguntas depois. Mas, quando a poeira baixar, acreditamos que os investidores perceberão que a tendência mais ampla de reequilíbrio do mercado de trabalho continua intacta — disse Tim Urbanowicz, da gestora do banco Goldman Sachs, à agncia Bloomberg.
O Globo