Criação de de 178 mil empregos nos EUA supera previsões, e desemprego cai no país

 

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O crescimento do emprego nos Estados Unidos se recuperou em março e a taxa de desemprego caiu inesperadamente, sugerindo que o mercado de trabalho estava se estabilizando no início da guerra no Irã.

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As folhas de pagamento não agrícolas aumentaram em 178 mil no mês passado, o maior nível desde o fim de 2024, após revisões mostrarem uma queda mais acentuada em fevereiro, segundo dados divulgados na sexta-feira pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS). O número ficou acima de todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg.

Economistas já esperavam amplamente uma recuperação do emprego em março, após uma greve de mais de 30 mil trabalhadores da área de saúde e condições climáticas severas no inverno contribuírem para uma queda acentuada em fevereiro. O aumento sólido deve reforçar o foco do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nos riscos de inflação, em meio a uma rápida alta dos preços de energia provocada pela guerra no Oriente Médio.

O avanço das contratações foi liderado pelo setor de saúde, que se recuperou após o fim da greve de trabalhadores da Kaiser Permanente (operadora de saúde) na Califórnia e no Havaí. Mas o relatório mostrou que os ganhos foram disseminados entre os setores, com uma medida da abrangência das contratações atingindo o nível mais alto em mais de dois anos.

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As folhas de pagamento na construção e nos setores de lazer e hospitalidade aumentaram após quedas em fevereiro, possivelmente refletindo uma recuperação relacionada ao clima. As contratações na indústria tiveram o melhor desempenho desde o fim de 2023.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram após a divulgação dos dados. O mercado de ações está fechado devido ao feriado de Sexta-feira Santa.

O forte aumento das folhas de pagamento em março veio após uma queda revisada de 133 mil no mês anterior, uma das maiores retrações desde a pandemia. Ainda assim, na média, as folhas de pagamento cresceram 68 mil nos primeiros três meses do ano, o melhor desempenho em quase um ano.

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A taxa de desemprego caiu para 4,3%, embora isso reflita em parte a saída de americanos da força de trabalho. A taxa de participação — a parcela da população que está trabalhando ou buscando emprego — recuou para 61,9% em março, o menor nível desde 2021. A taxa para trabalhadores entre 25 e 54 anos, também conhecidos como trabalhadores em idade principal, também caiu. O número de pessoas trabalhando em meio período por razões econômicas aumentou.

Economistas também estão atentos a como a dinâmica entre oferta e demanda de trabalho está afetando os salários — especialmente com os riscos de inflação voltando a aumentar. O relatório mostrou que o ganho médio por hora subiu 0,2% em relação a fevereiro e 3,5% na comparação anual — o menor nível em quase cinco anos. Isso pode representar um desafio para consumidores que enfrentam o aumento dos custos de energia em decorrência da guerra.

A pesquisa de emprego reflete a segunda semana de março, logo após o início do conflito no Oriente Médio envolvendo EUA e Israel em 28 de fevereiro. Economistas esperam que a guerra tenha maior impacto nos próximos relatórios de emprego caso o conflito continue, à medida que empresas reajam aos preços mais altos de energia e à possível queda na demanda adiando contratações ou demitindo funcionários.