Cria do Méier, diretor de cinema vertical é indicado a premiações em festival de Roma, na Itália - QTU Questões do Universo

Cria do Méier, diretor de cinema vertical é indicado a premiações em festival de Roma, na Itália

Fonte: Bandeira da fonte

Nascido no Méier, ele precisou morar de favor num apartamento numa comunidade no Rio e enfrentar várias dificuldades até disputar prêmios internacionais.
Essa é a trajetória do diretor e ator Felipe Veloso, o Lipe Veloso, de 32 anos, que teve a websérie "Não desvie o olhar", produzida de forma independente, indicada ao festival Vertical Movie, em Roma, na Itália.

A produção é um microdrama vertical de ficção científica e suspense sobre um óculos com inteligência artificial que faz os usuários enxergarem obsessores, desencadeando uma realidade de medo e caos.
Cartaz de "Não Desvie o Olhar"
Reprodução
O cinema vertical, formato pensado para ser assistido no celular, em vez de na tela horizontal tradicional, hoje é tendência, impulsionada, inclusive, pelas "novelinhas" nas redes sociais.
Mas, quando Lipe começou a investir nesse tipo de produção, o formato ainda era pouco conhecido no Brasil, o que, segundo ele, o torna um dos pioneiros do gênero no país.
— Quando comecei a fazer minhas produções, o cinema vertical ainda estava muito longe de ser o que é hoje.
Olhando para trás, fui um dos primeiros a apostar nesse formato de microdrama vertical.
Tenho muito orgulho da minha trajetória e, mesmo com todas as dificuldades que enfrento até hoje, continuo trabalhando e me doando 100% — diz ao EXTRA.
O diretor Lipe Veloso
Reprodução/Instagram
Lipe começou a gravar aos 12 anos, com uma filmadora emprestada da prima.
Aos 18, veio o primeiro prêmio: o curta "Escassez", sobre a falta de água no futuro, venceu o Festival de Cinema Viva Caxias, na cidade da Baixada Fluminense, e rendeu a ele R$ 7 mil reais.
Cinco anos depois, em 2017, lançou a websérie de maior impacto da carreira até agora: "Reverso", sobre um jovem gamer psicopata que sequestra pessoas para um universo de realidade virtual, abordando uso de drogas e os riscos de encontros marcados por sites de relacionamento.
O orçamento foi de cerca de R$ 250 reais.
Para viabilizar o projeto, Lipe percorreu lojas e mercados populares em busca de parcerias para tecidos e maquiagem.
O elenco veio da escola de teatro da Faetec de Quintino, pela qual ele diz ter "eterna gratidão".
— Para fazer o "Reverso", eu busquei apoio.
Peguei minha pasta e fui de loja em loja, pedindo: 'Olha, eu tenho um projeto aqui, que penso ter um grande potencial no mercado e queria saber se você tem interesse em apoiar'.
Também convenci a escola de teatro a abraçar o projeto.
É uma escola pela qual tenho enorme gratidão e, claro, a todos os alunos também.
Com "Reverso", Lipe conquistou dois troféus no Rio WebFest, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca.
Na época, morava de favor no apartamento de um amigo, na comunidade do Terreirão, no Recreio.
Também foi convidado para festivais na França e na Ásia, mas as dificuldades financeiras, somadas à pandemia, o impediram de comparecer.
Lipe Veloso com os prêmios conquistados no Rio WebFest
Reprodução
Hoje, Lipe mora em São Paulo, está desempregado e vive de freelas na área do audiovisual.
Depois de interromper as produções após a pandemia, retomou as gravações após o namorado ganhar um óculos inteligente com câmera integrada, utilizado nas filmagens, em um sorteio.
Agora, com "Não desvie o olhar" indicado a festivais internacionais, Veloso espera que novas portas se abram rumo ao maior sonho: dirigir produções em uma grande emissora.
— Eu não vou a Roma porque não tenho condições financeiras.
Mas é uma sensação maravilhosa ver que meu trabalho está sendo reconhecido.
Sou um lutador, batalho muito.
Sigo em busca de oportunidades para realizar o meu maior sonho, que é trabalhar em uma grande emissora.
A obra ainda não está disponível ao público, pois segue no circuito do festival, e só deve ser liberada após o fim das premiações.