O crédito imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou um volume de R$ 16,97 bilhões em agosto, uma expansão de 46,6% na comparação com igual mês de 2025, confirmando a tendência de crescimento dessas operações neste ano, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Impacto: Greve da Caixa, que teve fim decretado pelo TST, já atrasou concessão de crédito IPTU por tamanho ou por preço do imóvel: entenda o que muda com decisão do STF Nos oito primeiros meses de 2026, o total subiu a R$ 132,5 bilhões, alta de 37,5% ante janeiro a agosto do ano passado. Nesse período, 384,6 mil imóveis, entre comprados e reformados, foram financiados, ou 35,9% mais que de janeiro a agosto do ano passado. — Agosto, como em abril, maio e junho, ficou num patamar de R$ 17 bilhões em crédito. A média mensal, de janeiro a agosto, é de R$ 16,6 bilhões, confirmando nossas estimativas de crescimento — diz Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip. — No início do mês passado, nossa previsão de aumento (no crédito via SBPE) foi revisada para 18%. Anteriormente, a expectativa da entidade era de um crescimento de 15% nos financiamentos imobiliários concedidos com recursos do SBPE, na comparação com 2025. Com a revisão, essa estimativa passou a 18%, devendo alcançar perto de R$ 185 bilhões neste ano. Com orçamento apertado e dívidas: Classe média se aperta, e imóveis de dois quartos compactos puxam vendas do setor Tombo no crédito livre Os avanços ocorrem apesar de a taxa básica de juros seguir em patamar elevado, mesmo com as reduções aplicadas à Selic em 2026, com recuo de 15% para 13,75% ao ano entre março e este mês de setembro. Na comparação com julho, o volume de crédito via SBPE recuou 19%, variação vista como resultado de um movimento sazonal ou específico de concentração de volume de empreendimentos de maior porte. Pagamento mais cedo: Segunda parcela do décimo terceiro será adiantada neste ano As operações de crédito imobiliário com recursos livres, em paralelo, registram um tombo. Em agosto, esses financiamentos totalizaram R$ 1,31 bilhão, uma queda de 63,3% ante igual mês de 2025. De janeiro a agosto, o total foi de R$ 11,5 bilhões, recuo de 33,9% na comparação com igual período do ano passado. Para Pontual, as razões para o salto registrado nos financiamentos do SBPE não são “muito claras”, mas há hipóteses à mesa: — Uma parte pode ter a ver com a liberação do (depósito) compulsório (de recursos da poupança), dentro do novo modelo de crédito habitacional, isso ajudou no primeiro semestre. E há atividade razoável no mercado secundário: 70% do crédito são para aquisição de imóveis usados — destaca ele. — Já houve R$ 38 bilhões em compulsório liberado. Novo modelo No fim do ano passado, o governo federal anunciou um novo modelo de crédito habitacional, incluindo a liberação do depósito compulsório no Banco Central equivalente a 20% dos recursos da poupança em um prazo de dez anos. A transição teve início neste ano, liberando uma fatia de 5%. A partir de 2027, ela será gradativamente ampliada. Essa mudança incluiu outras medidas como a fixação de um teto de juros cobrados nos financiamentos em 12% ao ano, mais a taxa referencial, para operações dentro do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Além da elevação do limite de preço do imóvel de R$ 1,5 para R$ 2,25 milhões, por exemplo. Mais uma: Depois de Golfo da América e Lago América, Trump agora rebatiza inteligência artificial de 'superinteligência' — O crédito com recurso livre passou a ter um custo mais caro. Deixou de ser atrativo direcionar recursos para ele. No SBPE, confrontando os dados de um ano contra o outro, há um movimento de alta expressiva em financiamento, confirmando a expectativa da Abecip em contratações — observa Ana Maria Castelo, da FGV. — A gente vê um novo patamar, com expansão em 2026, mas ainda sem garantia sobre como vai ficar em 2027. Também o executivo da Abecip avalia que será preciso esperar qual vai ser a política econômica do vencedor das eleições deste mês: — Deve vir, independentemente de quem ganhe, algum anúncio para cuidar melhor do fiscal e tentar baixar a taxa de juros. E há ainda fatores do cenário externo impactando petróleo e outras commodities, mexendo em custos e outras condições internas.
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Crédito imobiliário pela poupança avança 37,5% de janeiro a agosto, confirmando tendência de alta em contratações em 2026
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O Globo
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