A eleição mal acabou e o xadrez político para 2030 já começou a se mover. Nos bastidores de Brasília, muito se questiona sobre quem será o sucessor do presidente Lula, que vai iniciar seu último mandato em 2027 aos 81 anos.
A discussão dentro do PT ainda é tímida, mas as primeiras peças já estão no radar. E o Nordeste pode assumir o protagonismo.
Nomes que ganharam força na campanha do segundo turno, como o senador Camilo Santana e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, lideram as apostas neste momento. Fontes do governo disseram à CBN que um forte sinal é a escolha para a Casa Civil, pasta na qual a ex-presidente Dilma Roussef foi lançada em 2010 e agora é disputada pelo ex-ministro Fernando Haddad e por Camilo Santana.
Mas há quem diga que a vaga não é exclusividade petista. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, afirmou que o candidato da base aliada não precisa ser do PT.
A deputada Sâmia Bomfim, do PSOL, está viajando o Brasil em caravanas que tem como lema: "retomar as ruas, ocupar as redes e renovar a esquerda". Já o PSB tem grandes figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente da sigla João Campos, que também pode chegar à Esplanada dos Ministérios.
Para o cientista político Murilo Medeiros, o quarto mandato de Lula marca o fim de um ciclo, e a esquerda tem agora quatro anos para preparar uma transição de liderança adiada há décadas. O ministro Fernando Haddad é visto como figura central pela confiança que tem do presidente.
Mas o desafio de Haddad é eleitoral: ele precisa provar que tem capacidade de projeção nacional competitiva, após sucessivas derrotas. Como "plano B", o cientista político não descarta Flávio Dino, que, mesmo no Supremo Tribunal Federal, mantém fortes ligações com a base lulista.
Segundo Medeiros, o grande problema do partido é que o presidente se tornou maior que a própria legenda. "O predomínio excessivo de Lula nas eleições dificultou o surgimento de uma liderança capaz de substituí-lo, né.
E a esquerda ficou muito presa à figura individual de Lula e retardou o trabalho de formação e de atualização de suas lideranças. A esquerda brasileira nesse período de transição geracional também deverá buscar uma renovação programática, né, capaz de dialogar com as novas gerações, a classe média e, principalmente, o eleitorado independente."
Falando em renovação, os jovens eleitos para a Câmara foram uma das fontes de inspiração para Lula no segundo turno, mobilizando as redes sociais e as ruas. A deputada reeleita Camila Jara, do PT do Mato Grosso do Sul, tem apenas 31 anos e esteve no primeiro escalão do QG do presidente, que conseguiu uma virada inédita.
"Partidos políticos, instituições políticas, precisam se renovar porque faz parte da conexão com a sociedade, receber novos inputs e conseguir fazer com que as pessoas se sintam representadas (...) Agora, nós temos figuras se movimentando pra ver como será a captura desse legado, que é um legado que é maior que o presidente Lula, que é maior que o PT."
Oficialmente, a cúpula do PT tenta frear a ansiedade. O vice-presidente da sigla, Washington Quaquá, disse à CBN que o martelo só será batido em 2030, porque o foco agora é fazer o melhor mandato do Lula para coroar a trajetória dele.
No entanto ele reconhece que o PT precisa se reinventar, se voltar para as periferias, dialogar com o Centro. "Acho muito difícil alguém suceder com a densidade que o presidente Lula, suceder o presidente Lula.
Mas obviamente que o PT passará a ter que ter candidatos a presidente da República daqui para frente, à medida em que o Lula não será mais. Então isso é um debate que nós vamos fazer, mas acho que esse debate não tem que ser feito agora não.
Esse debate só tem que ser feito no último ano do quarto mandato do presidente Lula (...) Nós precisamos de deixar de ser um partido histérico para passar a ser um partido de organização do povo brasileiro." Apesar disso, a fórmula do candidato ideal já está desenhada.
A aposta é que o escolhido seja um nome forte da Esplanada, que acumule serviços em pastas de peso nos três primeiros anos, ganhando a vitrine necessária para ser lançado como o sucessor natural do governo.
CBN