COPs só fazem sentido quando resultados chegam à população

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A COP começa de verdade quando as duas semanas de reuniões terminam. É durante o ano que promessas se transformam em políticas públicas, investimentos e melhorias concretas.

Na próxima segunda-feira, a COP31 começará na Turquia, e o Brasil passará o bastão à nova presidência da conferência. Será o momento de olhar para o caminho desde Belém e lembrar que COPs só fazem sentido quando os resultados chegam às pessoas.

Há um ano, a COP30 marcou o início de uma nova era da implementação. Após décadas de acordos, regras, princípios e metas, o mundo precisa agir no ritmo que a crise climática exige.

E mudar começa por transformar compromissos internacionais em ações locais, mobilizando todos os níveis de governo e a sociedade. Cidades e comunidades estão na linha de frente da mudança do clima.

As inundações em Porto Alegre em 2024, as ondas de calor em São Paulo e no Rio e as secas prolongadas no Norte, que agravam incêndios florestais e deixam cidades da Amazônia sob fumaça, são provas disso. Não é um problema do futuro, mas uma urgência que exige ação imediata.

O Brasil lidera pelo exemplo. Nossa Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) para 2035 incorpora o federalismo climático e fortalece a cooperação entre os governos federal, estaduais e municipais.

Instrumentos como o Fundo Clima, o AdaptaCidades e o Programa Cidades Verdes Resilientes transformam estratégia em ação. O Plano Clima é resultado de um mutirão que reuniu mais de 20 ministérios e a sociedade.

Ele organiza a implementação da política climática brasileira até 2035, com oito planos setoriais de mitigação e 16 de adaptação, além de planos financeiros transversais. Não à toa, o presidente Lula disse após sua reeleição que “nós vamos ensinar ao mundo como é que se trata a política climática neste país”.

Em Belém, reformulamos a Agenda de Ação em seis eixos para acelerar a implementação do Primeiro Balanço Global do Acordo de Paris, acordado por consenso na COP28, em Dubai, em 2023. Um desses eixos é dedicado à “construção de resiliência em cidades, infraestrutura e água”.

No último ano, mais de 70% dos Planos de Aceleração de Soluções vinculados a ele relataram progresso. O Programa Mutirão Brasil — uma parceria do governo federal com as redes internacionais C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, com apoio da Bloomberg Philanthropies e de outros parceiros — é parte-chave desse esforço.

O programa é uma demonstração perfeita da importância da cooperação. A iniciativa apoia mais de 50 cidades e estados no desenvolvimento de projetos relacionados a resíduos orgânicos, transportes, planejamento e financiamento climático.

O legado que a COP30 deixa para o mundo passa pelo espírito de mutirão pela ação climática, que nos guiou. Mutirão é uma palavra de origem indígena que traduz uma ideia essencial: unir forças para alcançar um objetivo comum.

O governo federal pode criar políticas, marcos e instrumentos, mas são estados e municípios que conhecem seus territórios, necessidades e oportunidades. Cidades concentram grande parte das emissões, mas também são onde soluções são criadas, seja no transporte, na energia ou no planejamento urbano.

Na Turquia, a convergência entre o local e o nacional ganhará nova escala com diversos anúncios sobre resiliência a desastres, progresso em edificações e transportes resilientes e financiamento climático. Resíduos, tema prioritário para a presidência da COP31, também terão grande destaque na agenda dos municípios.

Política climática não diz respeito só a metas. É garantir ar limpo, transporte de qualidade, infraestrutura segura e resiliente, oportunidades econômicas e um futuro mais justo.

Esse é o espírito que o Brasil leva para a COP31. O único jeito de deixarmos um planeta habitável para nossos filhos e netos é agirmos juntos, agora, em um mutirão global, nacional e local.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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