Copa do Mundo: Canadá e África do Sul dão início à fase de mata-mata no estádio mais caro da história

Copa do Mundo: Canadá e África do Sul dão início à fase de mata-mata no estádio mais caro da história

Fonte: Bandeira



A Copa do Mundo 2026 foi anunciada pela Fifa como a mais tecnológica da história – não apenas pelo que vai acontecer nos jogos, mas pela experiência que os torcedores têm dentro dos estádios. Com sede em três países – Estados Unidos, México e Canadá –, a competição terá 104 partidas em 16 estádios, cinco deles cobertos por grandes domos. Para o torneio, essas arenas esportivas receberam upgrades que combinam inteligência artificial, alta conectividade, segurança inteligente e experiências imersivas para os torcedores. Entre as casas mais modernas do torneio estão o SoFi Stadium, em Los Angeles; o Allegiant Stadium, em Las Vegas; o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta; e o histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, que passou por uma ampla modernização para receber jogos da Copa pela terceira vez na história.

Neste domingo (28/06), Canadá e África do Sul dão início à fase de mata-mata do torneio no SoFi Stadium, em Los Angeles. Inaugurado em 2020, o estádio é a casa compartilhada pelos Los Angeles Rams e pelos Chargers. É considerado o mais caro da história do esporte mundial. Em sua construção, foram gastos cerca de US$ 5,5 bilhões: grande parte desse valor foi usado para garantir a integridade da estrutura em uma área de alta atividade sísmica na Califórnia. O estádio foi instalado abaixo do nível do solo (o campo fica a quase 30 metros de profundidade) e é cercado por um enorme fosso sísmico. Se um terremoto acontecer, o terreno ao redor e a cobertura do estádio se moverão de forma independente, para absorver o impacto e impedir que a estrutura desabe.

PALCOS DA COPA - O SoFi Stadium, em Los Angeles, tem teto que atua como ar-condicionado e 2,5 mil pontos de acesso wi-fi

Getty Images

A cobertura é feita de painéis de ETFE, um plástico translúcido high-tech, que protege o público da chuva e dos raios UV, mas permite a entrada de luz natural. O teto também permite a circulação do vento do oceano Pacífico, dispensando sistemas colossais de ar-condicionado. Para sustentar 70 mil torcedores conectados, o SoFi conta com mais de 2,5 mil pontos de acesso wi-fi 6 integrados sob as poltronas e nas estruturas, garantindo latência quase zero para aplicativos de realidade aumentada e compras dentro da arena. Milhares de sensores de IoT (internet das coisas) espalhados pelo complexo monitoram o fluxo de pessoas, o consumo de energia, o funcionamento das escadas rolantes e até os níveis de água nas descargas. Tudo para antever falhas antes que elas aconteçam.

O SoFi Stadium foi uma das 14 arenas visitadas pelo time de inovação e tecnologia do Atlético Mineiro durante o planejamento da Arena MRV, estádio do Galo inaugurado em 2023 em Belo Horizonte, Minas Gerais, considerado um dos mais avançados do país. A equipe também entrevistou mil torcedores do time para mapear o que eles gostariam de encontrar naquele ambiente. “No exterior, com o tíquete maior por ingresso, os estádios têm mais recursos, e muitos apostam em entretenimento”, diz Leandro César Lopes Evangelista, diretor de tecnologia e inovação da SAF Clube Atlético Mineiro. “Por aqui, a visão dos torcedores é de que a arena ideal seria um lugar seguro, com pouca fricção de entrada e saída e muita conectividade. Foi onde apostamos”, diz.

A cobertura do SoFi Stadium é feita de painéis de ETFE, um plástico translúcido high-tech, que protege o público da chuva e dos raios UV, mas permite a entrada de luz natural

Luke Hales/Getty Images

Para além das conexões, as tecnologias usadas na preparação das arenas da Copa do Mundo abarcam tudo que há de mais moderno já criado para o entretenimento. Redes 5G privadas, alimentadas por centenas de antenas e amplificadores instalados nos estádios, permitem que milhares de pessoas transmitam vídeos, acessem estatísticas e usem serviços digitais simultaneamente: a ideia é transformar o celular em uma espécie de controle remoto. Por meio de aplicativos, o torcedor pode acessar replays das jogadas mais controversas, mapas interativos do estádio, informações sobre ingressos e filas e até mesmo recursos de realidade aumentada.

A rede 5G sustenta também uma das maiores inovações deste ano: o sistema de VAR semiautomático. A partir de um escaneamento realizado com os jogadores antes da partida, é possível ver as jogadas representadas por avatares dos atletas em 3D, o que dá precisão e agilidade ao processo, para felicidade dos árbitros – e dos torcedores. A conectividade permite ainda que os organizadores acessem os gêmeos digitais dos 16 estádios – réplicas virtuais construídas a partir de sensores e câmeras instaladas nos locais. Com esses modelos, é possível monitorar fluxo de público, lotação de setores e condições de campo em tempo real, tomando decisões antes que problemas virem crises. A tecnologia é comum na manufatura e na aviação, mas a Copa de 2026 é a primeira aplicação em larga escala no futebol.

Para sustentar 70 mil torcedores conectados, o SoFi conta com mais de 2,5 mil pontos de acesso wi-fi 6 integrados sob as poltronas e nas estruturas

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A inovação também está a serviço do consumo. “O foco é aumentar a demanda do torcedor por produtos consumidos no local, seja com pagamento sem dinheiro, delivery nos assentos, brindes personalizados ou itens de coleção”, afirma Amir Somoggi, diretor da Sports Value, especializada em marketing e gestão esportiva. “A facilidade do pagamento é um dos fatores que estimulam os gastos do público presente ao estádio, mas não é o único”, diz Gian Martinez, cofundador e CEO da Winnin, empresa criada há 12 anos para gerar insights de marketing por meio de análises preditivas de vídeos em redes sociais.

Milhares de sensores de IoT (internet das coisas) espalhados pelo complexo monitoram o fluxo de pessoas, o consumo de energia, o funcionamento das escadas rolantes e até os níveis de água nas descargas

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