Para José Sérgio Gabrielli, o projeto criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional merece "atenção especial" Coordenador do programa de governo do presidente Lula (PT) à reeleição, o economista José Sérgio Gabrielli (foto) distribuiu nesta segunda-feira, 2, um documento de 11 páginas, no qual apoia o plano de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para a criação de um mecanismo mais amplo para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil.
“Merece atenção especial a proposta de André Lara Resende de criação de um mecanismo mais amplo do que o CMN [Conselho Monetário Nacional] para coordenar a política monetária e fiscal no Brasil. O pior dos mundos é a situação de conflito de objetivos entre as duas políticas no curto prazo”, afirmou Gabrielli.
No texto, o coordenador do programa de Lula celebrou a abertura de um debate sobre o assunto. “Felizmente, alguns economistas de fora do governo se manifestaram publicamente pedindo mais progressividade na cobrança de impostos, adoção de novas formas de institucionalidade na relação entre política fiscal e política monetária e, inclusive, a adoção de mecanismos monetários heterodoxos, como o tabelamento de juros”, disse Gabrielli.
“Que bom que o debate se estabeleceu e aparentemente não há mais a onipresença do pensamento único. Viva a democracia”, acrescentou.
Gabrielli também dá mais atenção ao endividamento líquido do país, que está em 69,3% do PIB, do que à dívida bruta, que está em quase 83%, e lista uma série de propostas para atuar em um ajuste fiscal sem “austeridade contra o eleitor”. O economista André Lara Resende publicou um texto fora da caixa em 25 de setembro intitulado Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos, no qual propõe, entre outras coisas, a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional que seria responsável por definir metas de crescimento, inflação e juros para os próximos anos.
A ideia é baixar os juros para reduzir a dívida pública e controlar a consequente desvalorização do câmbio, usando as reservas de 350 bilhões de reais do Banco Central. Após o jornal O Globo dizer que o economista tinha um encontro marcado com Lula para esta semana, apoiadores do presidente, como a deputada federal e ex-ministra Gleisi Hoffmann, se animaram com a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros sem que o governo precise fazer um ajuste fiscal, que prejudicaria a popularidade de Lula.
Como analisou Rodolfo Borges em O próximo truque de Lula, problema é a aparente busca do governo e de seus apoiadores por um truque para evitar que Lula sofra as consequências da própria irresponsabilidade.
O Antogonista