Coober Pedy: cidade tenta escapar de 50ºC embaixo da terra

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Localizada no meio do deserto australiano, Coober Pedy surgiu com mineradores e hoje é atração turísticaDivulgação/District Council of Coober Pedy Você moraria embaixo da terra (ou areia) para respirar um ar mais fresco? No meio do deserto australiano, sem sombra de dúvidas, a resposta de boa parte dos habitantes foi sim.

Em Coober Pedy, cidade na Austrália Meridional, cerca de 3 mil moradores decidiram passar parte da vida abaixo do solo de arenito, com igrejas, hotéis, casas e lojas construídos no subterrâneo. A cidade pode chegar a mais de 50ºC durante os períodos mais quentes e tem uma relação de longa-data com o subsolo.

Segundo o Distrito Conselheiro local, por todos os lados é possível encontrar montes de terra e rochas removidas durante minerações do século XX. Foi essa a atividade que deu origem ao município onde atualmente muitos moradores vivem em casas subterrâneas chamadas “dugouts”.

Elas começaram como minas, mas ao longo do tempo foram planejadas e adaptadas para terem o conforto de uma moradia. Embora inusitado, o subsolo tem uma grande vantagem contra o calor extremo: as temperaturas são constantes e mais baixas, por conta do isolamento natural do solo em relação à superfície.Hotel subterrâneoFoto: Reprodução/Google MapsQuarto subterrâneoFoto: Reprodução/Google MapsMontes de escavação Coober PedyFoto: ReproduçãoIgreja subterrâneaFoto: Reprodução/Google Maps A cidade que já foi economicamente importante pela mineração agora tem o turismo como principal atividade, contando a história de como as pessoas se adaptaram ao deserto e como foi a caça por minérios no século XX.

Capital mundial do OpalaAinda de acordo com as informações históricas divulgadas pelo Distrito Conselheiro de Coober Pedy, a cidade é conhecida como “capital mundial do opala”, um minério valioso com reflexos coloridos e utilizado para produção de joias.A descoberta da pedra ocorreu em 1915 após sucessivas tentativas malsucedidas atrás de ouro ao longo de 14 semanas.

A notícia atraiu mineradores para a região, que enfrentaram a falta de água e o isolamento desértico durante as escavações, o que dificultou a permanência.O primeiro nome do local foi “Campo de Opala de Stuar Range”. Somente em 1920, depois de um período de chuvas intenso, o número de mineradores cresceu para algumas centenas.

Com isso, uma loja, uma agência de correios e um reservatório de água subterrâneo foram construídos.Desde então, o número de “moradores”, inicialmente mineradores, sempre oscilou, conforme a necessidade e valorização do opala no mercado. A cidade ganhou relevância na década de 1970 e 80, quando mecanizou a produção e se modernizou.Somente nessa época um governo local foi instaurado para administração local, o que inicialmente foi controverso, mas promoveu algumas mudanças e deu acesso a serviços e instalações que antes não existiam para quem quer que estivesse na cidade, fosse temporária ou permanentemente.As útlimas duas décadas são marcadas pela derrocada da mineração, que deu espaço para o turismo tanto nacional quanto internacional.

O número de habitantes segue flutuante, não mais pelas escavações, e a cidade se descreve como “cosmopolita”.Ou seja, com habitantes de diversas regiões do país e do mundo, muitas vezes de forma temporária conforme a dinâmica econômica da cidade.Cidade esculpida pela mineraçãoA mineração é central a história e à adaptação de Coober Pedy ao deserto australiano.

O município surgiu ao longo de sucessivas idas e vindas de mineradores, que escavaram inúmeros pontos atrás dos metais valiosos.A atividade deu vez a solução para o clima extremo local, em que minas foram substituídas ou adaptadas para casas, hotéis, lojas e igrejas. A combinação despretensiosa da história faz parte do que atualmente torna Coober Pedy turisticamente relevante na região. 

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