'Construí carreira internacional com o rosto da minha irmã', diz Giselle Batista, sobre parceria com irmã gêmea, Michelle

'Construí carreira internacional com o rosto da minha irmã', diz Giselle Batista, sobre parceria com irmã gêmea, Michelle - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Giselle Batista tinha 19 anos quando deixou São Gonçalo e desembarcou na Coreia do Sul para tentar a carreira de modelo internacional. Rosto anguloso, cabelos acobreados e corpo esguio, levava na bagagem o book feito anos antes com a irmã gêmea, Michelle, com o dinheiro que juntaram como recreadoras no BarraShopping. Já em Seul, entendeu que não ia ser fácil. “As meninas eram superprofissionais e tinham um material completíssimo”, conta. Desanimada, via as colegas emendarem trabalhos enquanto nem para testes era chamada. Frustrada com a ideia de voltar de mãos abanando para casa, ligou para a família de uma lan house, aos prantos. Michelle sofria junto. A ausência da irmã era quase um luto, mas vê-la derrotada doía ainda mais. Modelo também, a gêmea havia preferido ficar no Brasil para cursar Jornalismo. Ela então convenceu um amigo fotógrafo a fazer fotos suas de graça e as enviou para a irmã por e-mail. Giselle imprimiu tudo, misturou às imagens antigas e levou à agência. O booker separou as melhores, montou o composite e botou a jovem para trabalhar. As poses iam de editorial a campanha. Só que nenhuma era dela. “Ele não escolheu nenhuma foto minha”, diverte-se. “Construí uma carreira internacional com o rosto da minha irmã.” Michelle e Giselle Batista Raphael Figueiredo Na carreira de atrizes, o movimento foi o contrário. Depois de estrearem interpretando gêmeas em “Malhação” (2007), passaram a recusar esses papéis. “Mesmo sabendo que poderia ser um tiro no pé”, diz Michelle. A dificuldade virou material para “Clandestinos” (2008). No espetáculo de João Falcão, criado a partir da história delas, interpretavam atrizes que ouviam que não havia espaço para as duas. Quando a peça virou série da TV Globo, em 2010, pediram ao diretor que acentuasse as diferenças. Giselle platinou e cortou o cabelo bem curto. “Aquilo me colocou em outra prateleira.” Ambas passaram a receber convites individuais e ganharam uma desculpa para recusar papéis em dupla. “Agora não dá. Olha como a gente está diferente”, diziam. Em seguida, Michelle engatou quatro temporadas de “O negócio”, da HBO, gravadas entre 2012 e 2017, enquanto Giselle fazia a novela “Cheias de charme” (2012), na TV Globo. E, apesar das selfies que faziam com fãs no lugar da irmã, o mercado entendeu a diferença. “Elas conseguem fazer igual, se quiserem. Mas naturalmente são muito diferentes”, afirma o diretor João Falcão. A tentativa de distingui-las começou no berço. Nascidas de parto normal aos sete meses, eram tão idênticas que a mãe, Graça, furou as orelhas das duas antes de sair da maternidade. Michelle ganhou brincos vermelhos e a irmã, azuis. Havia ainda uma diferença de 40 gramas entre elas. “Giselle nasceu maior, a gente a chamava de gordinha”, conta Graça. Giselle e Michelle Batista Raphael Figueiredo Depois, a mãe aprendeu a reconhecê-las pelo choro. Michelle sofria com cólicas e dores de ouvido e tinha um pranto forte, estridente; o da irmã era mais baixinho. Esse padrão se repetiu durante a infância. Quando adoecia, Michelle costumava ter sintomas mais fortes e, nesses momentos, precisava de mais atenção. Aos 4 anos, Giselle já reclamava que Graça gostava mais da irmã. “Eu dizia que não, que era porque a Michelle precisava mais.” A moça do brinco azul é, aos olhos de João Falcão, a mais espevitada. “A Michelle tem uma coisa de bonequinha de louça, aparentemente frágil. A Giselle é mais moleque, mais despojada, mais largada.” Para as fotos desta edição, as gêmeas voltaram às origens. O ensaio, feito entre o Copacabana Palace e as ruas do entorno, trouxe uma coincidência boa. Aos 19 anos, as duas fizeram no hotel a primeira campanha como modelos. Michelle guarda até hoje a polaroide que ganhou do fotógrafo. “Foi muito emocionante reviver nossa história e lembrar o quanto a moda nos ajudou, e ainda ajuda, a realizar nossos sonhos”, diz. Giselle levou essa relação para a criação de personagens. “Adoro a coisa mágica de se vestir. A roupa comunica muito sobre você antes mesmo de se apresentar.” Giselle Batista Raphael Figueiredo Fora de cena, a vida também tomou rumos próprios. Casada há 13 anos com Otávio Pandolfo, da dupla OSGEMEOS, Giselle vive em São Paulo. Michelle, solteira, ficou no Rio. Às vezes, uma se pergunta como seria estar no lugar da outra. Giselle adora ouvir as aventuras amorosas da irmã. Recentemente, Michelle reformou a sala e escolheu tudo sozinha. “Que paz, hein? Não ouvir opinião de ninguém”, observou Giselle. Na casa que divide com o marido, há obras esperando há seis meses para serem penduradas porque o casal não consegue decidir onde vão ficar. Otávio também é gêmeo univitelino e, durante muito tempo, seu irmão, Gustavo, e Michelle estiveram solteiros. Quando os quatro saíam juntos, a provocação era certa: por que os dois não namoravam? “Imagina o tamanho do problema se eu brigasse com o cunhado da minha irmã.” Quando o assunto são filhos, as diferenças reaparecem. Com óvulos congelados na mesma época, Giselle sente a pressão do relógio biológico. Michelle gostaria de ser mãe, mas não pretende transformar o desejo em corrida. “Não quero colocar isso à frente da minha felicidade.” Depois de tanto empenho para separar as carreiras, escolheram trabalhar juntas outra vez. Criado em 2017, o GiMi, canal no YouTube que produzem, já publicou mais de mil vídeos e nasceu com a ideia de repensar o clima da infância das duas em São Gonçalo. “É o lugar onde a gente se encontra e tem toda a liberdade do mundo”, diz Michelle. Entre as próximas atrações estão uma conversa com Luana Martau, companheira de elenco em “Clandestinos”, e uma nova temporada do “Piscinão GiMi”, programa de verão com convidados, histórias de bastidores e participação da família. “Podem esperar pela nossa já famosa piscina de plástico”, brinca Giselle. Michelle Batista Raphael Figueiredo Sem abandonar os caminhos individuais, ela protagoniza “Cuidado! A chefona chegou”, primeira novela vertical brasileira do DramaBox, enquanto a irmã vive uma flautista (e toca o instrumento de verdade) no longa “A Primeira Música”, de André Gevaerd, ainda sem data de estreia. A explicação para tanta sintonia, no entanto, não está no rosto parecido, na profissão escolhida ou nas histórias vividas juntas. “Quer mais sorte do que ter nascido com a minha melhor amiga?”, diz Giselle. Ao que Michelle emenda: “Sorte mesmo é nunca ter conhecido a solidão.” Taí.

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