Construção civil e setor automotivo puxam a demanda por aço

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Fonte da notícia: Valor Valor

Análises do Instituto Aço Brasil e projeções acompanhadas por entidades como CNI sinalizam que a demanda por aço segue presente no mercado brasileiro, mesmo diante das importações e pressões sobre margens. Tudo indica que a produção de aço bruto fechará 2026 com 32,4 milhões de toneladas, 2,2% a menos que em 2025, com vendas internas na casa dos 20,8 milhões de toneladas (queda de 1,7%) e o consumo de aço aparente registre alta de 1%, alcançando 27 milhões de toneladas. Já as exportações deverão crescer 10% (6,3 milhões de toneladas), avanço 50% menor do que no ano passado.

A perspectiva de recuperação está associada ao reaquecimento de setores intensivos em aço, como a construção civil e automotivo, que funcionam como indicadores antecipados do consumo de aço siderúrgico no país. Soma-se a isso, o pacote federal de investimentos em infraestrutura, envolvendo rodovias, ferrovias, saneamento e energia, todos intensivo na adoção de tubos de condução e estrutura metálica. Segundo os especialistas, no Brasil o consumo aparente de produtos siderúrgicos funciona como um termômetro essencial do desenvolvimento, uma vez que passa pela construção civil, indústria de transformação, manutenção industrial e projetos de infraestrutura. O volume investido em infraestrutura em 2025 foi de R$ 280 bilhões, em 2026 deve alcançar R$ 300 bilhões.

A construção civil é a segunda maior consumidora de aço do planeta, respondendo por mais de 50% da demanda global. No Brasil, o setor responde por 37,3% do consumo, à frente do automotivo (24,8%), bens de capital (19,2%,) e utilidades domésticas e comerciais (6%). E a tendência é continuar na liderança. “Os números que temos acompanhado tanto em infraestrutura quanto em construção imobiliária são de crescimento. Assim, a demanda aumentará, porque não se faz construção sem aço”, afirma Dyonisio Klavdianos, vice-presidente de materiais, tecnologia, qualidade e produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção-CBIC. “Mantemos a projeção de crescimento de 1,2% para construção civil em 2026”. Segundo ele, o setor não enfrenta gargalos na compra de matéria-prima. “É obvio que ficamos sujeitos à oscilação dos preços, mas a siderurgia nacional supre a indústria da construção”, diz. “Importamos cerca de 3% do aço que consumimos”.

Eduardo Zaidan, presidente do Sinduscon-SP, ressalta que a grande maioria das empresas do setor são abastecidas pelas siderúrgicas nacionais. “O comércio externo exige abertura de canais, volume e regularidade, o que nem sempre é viável para as empresas”, afirma. “Quando precisam recorrer a importação, muitas se organizam para fazer compras conjuntas sobretudo na Turquia e Egito. Sem contar que o produto precisa ser homologado, isto é, precisa ser atestado que atende rigorosamente às exigências das portarias do Inmetro e às normas da ABNT, o que tem custo”. Em junho, a Cooperativa da Construção Civil de Santa Catarina-Coopercon-SC) anunciou a conquista de novos certificados de conformidade, emitidos pela certificadora internacional Bureau Veritas, homologando duas parceiras no Egito. Até então as operações de importação estavam centradas na Turquia.

No setor automotivo, segundo maior consumidor de aço do país, com 4.358.685 milhões de toneladas, as perspectivas também são positivas. Projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revela que a produção nacional deve alcançar 2,7 milhões de veículos – em 2025 foram 2,6 milhões – em decorrência de investimentos em eletrificação, novos modelos e modernização tecnológica. A boa notícia para o setor siderúrgico está nos atributos que os novos automóveis demandam: estruturas mais leves, maior eficiência energética e padrões de segurança mais rigorosos. Com isso, cresce a busca por aços avançados de alta resistência. A expectativa é de crescimento entre 4% e 6% no consumo da categoria.

Todavia, nem todos os setores estão satisfeitos com o cenário atual. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos tem alertado com frequência o governo federal sobre o risco de aumento das tarifas e do imposto de importação do aço encarecer os custos de produção da indústria nacional. “O encarecimento da matéria-prima reverbera por toda a cadeia levando a um encarecimento geral com reflexo imediato na competitividade da indústria nacional de máquinas”, diz José Velloso, vice-presidente Executivo da Abimaq. “Nosso setor é composto basicamente por pequenas e médias empresas, com faturamento anual de até R$ 100 milhões, que individualmente encontram dificuldade na importação”. Segundo ele, é preciso fechar pelo menos um contêiner, o que exige altos investimentos. “A importação de grandes quantidades impacta no capital de risco. Com isso, a conta não fecha”, afirma.

Velloso observa que a indústria de máquinas usa cerca de 360 tipos de aço, boa parte deles especiais, sobretudo o aço plano laminado a quente, cujo percentual de importação é baixo, na casa dos 8%. “Se o Brasil quiser reverter a competitividade de cadeias produtivas tem de diminuir a tributação desde os insumos” afirma. “O que deveria ser colocado em prática é a chamada escalada tarifária, quanto menos valor agregado, menor a tarifa”. Segundo ele, o setor assiste à queda da competitividade e das receitas nos últimos anos. “Em 2013, o Brasil consumiu R$ 596 bilhões em máquinas e as importadas respondiam por 29% do mercado”, afirma. “Hoje, o consumo interno está na casa dos R$ 390 bilhões, com as importações somando 48%. A queda de competitividade é real”.

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