O americano Mike Stratton vivia uma "jornada infernal", incapaz de se mover, enquanto visões expunham pensamentos reprimidos, ressentimentos e hábitos destrutivos que haviam corroído sua qualidade de vida. Essa foi a primeira experiência do homem de 34 anos com a ibogaína, um composto extraído de plantas nativas da África, frequentemente chamado de "Monte Everest" dos psicodélicos.
"Lembro-me de ficar preso naquele ciclo pelo que pareceram meses ou anos", disse ao New York Post Stratton, cofundador da Marek Health. A ibogaína tem despertado interesse por seu potencial no tratamento de transtornos por uso de substâncias e, mais recentemente, de lesões cerebrais traumáticas e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Antes de morrer de overdose, Presley Gerber, filho de Cindy Crawford, falou sobre recorrer à substância psicoativa na tentativa de "reprogramar" seu cérebro para enfrentar o vício. Gerber — que realizou seu tratamento na Beōnd Ibogaine, em Cancún, no México — disse que a experiência o ajudou a encarar "aquilo de que eu estava fugindo e, em meio a tudo isso, comecei a reencontrar a mim mesmo".
No entanto, um número crescente de pessoas busca a ibogaína não para aliviar vícios ou traumas, mas para transformar vidas que, vistas de fora, já parecem bem-sucedidas. "Estamos começando a receber líderes; antes, as pessoas nos procuravam porque era uma questão de vida ou morte", disse Talia Eisenberg, cofundadora da Beōnd Ibogaine.
"O segmento que mais cresce é o de saúde e otimização." Em 2020, o Governo Federal Brasileiro publicou uma nota desaprovando o uso da substância no tratamento de dependência química.
"Em virtude da ausência de evidências científicas e da ocorrência de efeitos adversos graves de seu uso, a ibogaína não é licenciada para uso terapêutico no Brasil. Trata-se de uma substância que interage com vários sistemas de neurotransmissores sobre o cérebro e, que nos últimos anos, trouxeram relatórios alarmantes de complicações com risco de vida e casos de morte súbita, associados à sua administração.
As hipóteses dessas reações adversas estão correlacionadas à propensão da ibogaína induzir arritmias cardíacas6, sendo considerada por diversos estudos, como neurotóxica e cardiotóxica, e ligadas a várias mortes por parada cardíaca, além de ter sido associada a um estado alterado de consciência, ataxia, desconforto gastrointestinal, tremores, náuseas, vômitos, crise epiléptica generalizada e morte súbita, muitas vezes inexplicadas", dizia a nota.
A ibogaína é uma substância controlada de Classe I nos EUA e não tem aprovação para uso médico, mas seu uso é permitido no México, o que torna o país um destino em busca de tratamento.
O Globo