Conheça a ‘bailarina espanhola’, lesma marinha gigante que parece dançar no oceano
Ela parece saída de uma apresentação de flamenco no fundo do mar. Com movimentos ondulados, cores vibrantes e “abas” que lembram um vestido rodopiando na água, a Hexabranchus sanguineus ganhou o apelido de “bailarina espanhola” por causa da forma como nada pelos recifes do Indo-Pacífico.
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O animal é um nudibrânquio doride — um tipo de lesma marinha sem concha — e está entre os maiores já registrados pela ciência. Alguns indivíduos podem atingir até 60 centímetros de comprimento, embora o tamanho médio varie entre 20 e 30 centímetros, dimensões consideradas incomuns para esse grupo de moluscos.
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O nome científico da espécie significa literalmente “seis brânquias cor de sangue”, referência às estruturas respiratórias localizadas na parte traseira do corpo e à coloração intensa que varia entre vermelho, laranja e rosa. Apesar da aparência chamativa, a bailarina espanhola costuma passar o dia escondida em fendas de recifes rochosos e de coral, saindo principalmente à noite.
O apelido surgiu por causa de uma habilidade rara entre nudibrânquios: nadar. Enquanto a maioria das lesmas marinhas apenas rasteja pelo fundo do oceano, a bailarina espanhola consegue se deslocar na água usando estruturas laterais chamadas parapódios. Quando abertas, elas ondulam em sequência e criam a impressão de uma dança.
Além do visual incomum, a espécie também possui um sofisticado sistema de defesa química. Sua dieta é baseada em esponjas marinhas, especialmente da família Halichondriidae. Após consumir esses organismos, o animal reaproveita compostos tóxicos presentes neles para afastar predadores.
As substâncias químicas também são transferidas para os ovos, depositados em longas fitas rosadas presas a corais e rochas. Como todos os nudibrânquios, a espécie é hermafrodita, possuindo órgãos reprodutores masculinos e femininos.
Estudos recentes indicam ainda que a famosa “bailarina espanhola” talvez não seja apenas uma espécie. Uma revisão científica publicada em 2023 concluiu que o nome Hexabranchus sanguineus vinha sendo aplicado a diferentes espécies visualmente semelhantes distribuídas pelos oceanos Índico e Pacífico.
Mesmo sem sinais atuais de ameaça de extinção, o animal depende diretamente dos recifes de coral, ambientes pressionados pelo aumento da temperatura dos oceanos, poluição e degradação marinha.
