Congresso eleito tem perfil ambiental pior do que o anterior

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Fonte da notícia: Notícias Veja Notícias Veja

Os parlamentares eleitos assumirão seus mandatos, em 2027, em um país com secas, enchentes, incêndios e ondas de calor cada vez mais frequentes e severos. Nesse cenário, chama a atenção o estudo lançado pelo Observatório do Clima sobre o perfil ambiental do novo Congresso. Sete em cada dez parlamentares eleitos para o Congresso Nacional têm pouco ou nenhum alinhamento à agenda socioambiental. A metodologia é baseada principalmente no Índice de Convergência Ambiental, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, que analisa o alinhamento da atuação e os votos dos congressistas com a pauta de clima e meio ambiente. O índice estabelece quatro faixas: muito baixa (0 a 25%), baixa (26% a 50%), boa (51% a 69%) e muito boa (70% a 100%).

Complementarmente, a análise considera a composição e o perfil socioambiental dos parlamentares eleitos. Segundo o estudo, o histórico de cada nome foi apurado individualmente, com base na atuação em cargos públicos, políticas adotadas e posicionamentos relacionados à agenda socioambiental. Na comparação entre as duas casas, o Senado apresenta o cenário mais adverso. Na projeção realizada pelo Observatório do Clima, 64 de 81 senadores (79%) estão nas faixas baixa ou muito baixa da convergência ambiental.

A piora é associada pelo estudo ao forte crescimento de partidos de extrema direita, como o Partido Liberal (PL), com histórico de convergência ambiental muito baixa, que passa de 15 para 28 cadeiras, de 18,5% para 34,6% do Senado. O resultado também é influenciado pela renovação da casa: os novos senadores apresentam, em média, menor convergência ambiental do que os reeleitos.

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Já a Câmara reúne proporcionalmente mais parlamentares nas faixas boa ou muito boa (32,7% ante 21% no Senado).  Mais de dois terços dos deputados (67,3%), no entanto, estão nas faixas baixa ou muito baixa. No conjunto do Congresso, as faixas baixa e muito baixa somam 409 das 594 cadeiras (68,9%). Tanto na Câmara quanto no Senado, o quadro piorou para o meio ambiente. No Senado, na legislatura anterior, o percentual de baixa ou muito baixa convergência ambiental era de 71,6%. Já na Câmara havia ficado em 63%. Essa nova configuração amplia o risco de retrocessos como o enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, a anistia a grileiros e a diminuição da proteção às florestas e biomas.

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Segundo o estudo, esses impactos não atingem todos os territórios e populações da mesma maneira. As populações mais carentes estão mais expostas e têm mais dificuldade de enfrentar os problemas climáticos. Além disso, a crise climática se sobrepõe a desigualdades históricas e pode aprofundar situações de racismo ambiental. O IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) calcula que 40 milhões de crianças e adolescentes no Brasil já vivem hoje expostos a mais de um risco climático. “Esse público tem menos autonomia e recursos para se proteger dos efeitos das mudanças climáticas, embora esteja entre os mais afetados”, diz, em entrevista à coluna, Márcia Kalvon, diretora-executiva do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), organização integrante da Agenda 227, uma articulação apartidária que reúne mais de 520 organizações, redes e coalizões da sociedade civil para colocar crianças e adolescentes no centro das decisões públicas.

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Um dos mais recentes estudos científicos do Instituto Pensi, em conjunto com especialistas e acadêmicos, mostrou que a crise climática afeta desde a saúde respiratória e neurológica até a segurança alimentar das crianças brasileiras, passando também pelo bem-estar mental. Segundo Kalvon, precisamos de medidas concretas, como escolas preparadas para eventos extremos, planos de contingência, ações de enfrentamento ao calor extremo e ampliação do acesso à água tratada e ao saneamento básico. “Quando 79% dos senadores e 67,3% dos deputados eleitos apresentam pouca convergência com a agenda ambiental, temos um sinal de alerta sobre a prioridade que será dada a políticas fundamentais para o futuro do país”, diz a especialista,

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Para a diretora-executiva do Infinis, a forma como uma sociedade protege suas crianças e adolescentes revela muito sobre a qualidade de sua democracia. “A Constituição estabelece a prioridade absoluta de crianças e adolescentes, e esse compromisso precisa estar presente nas decisões políticas e orçamentárias sobre o clima.” Não basta reagir a cada desastre depois que ele acontece. Nosso presente e futuro dependem do que será feito agora para ampliar a capacidade de estados e municípios prevenirem riscos, adaptarem territórios, financiarem respostas e protegerem as populações mais vulnerabilizadas. Um compromisso que precisa ser cobrado dos candidatos já eleitos e no próximo dia 25 de outubro nas urnas. *Jornalista e diretora da Cross Content Comunicação. Há mais de três décadas escreve sobre temas como educação, direitos da infância e da adolescência, direitos da mulher e terceiro setor. Com mais de uma dezena de prêmios nacionais e internacionais, já publicou diversos livros sobre educação, trabalho infantil, violência contra a mulher e direitos humanos. Siga a colunista no Instagram.

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