Brasil 247 – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, permanece no cargo apesar de ter anunciado sua renúncia nesta quinta-feira (5). Segundo o jornal O Estado de São Paulo, com dados da AFP e da AP, a sessão do Senado que deveria analisar o pedido foi suspensa depois que parlamentares do Partido Colorado, legenda do próprio presidente, abandonaram o plenário e impediram a formação do quórum necessário para a votação.
A manobra parlamentar ocorreu em meio ao agravamento da crise política provocada pela intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, instituição financeira com a qual Peña manteve vínculos como investidor. Como a legislação exige que a renúncia presidencial seja aceita pelas duas Casas do Congresso, a ausência de deliberação no Senado mantém o presidente no exercício do mandato.
O presidente do Senado, Basilio Núñez, realizou uma chamada nominal, mas não conseguiu reunir os 41 parlamentares necessários para dar continuidade à sessão. Senadores ouvidos pela emissora paraguaia ABC Color afirmaram que os trabalhos deverão ser retomados nesta sexta-feira (6), quando também poderá entrar em discussão o processo de impeachment.
Câmara aprova abertura de processo de impeachment Antes da suspensão da sessão no Senado, a Câmara dos Deputados havia aprovado por unanimidade a abertura de um processo de impeachment contra Santiago Peña.
Na mesma reunião, os deputados também aprovaram, por 48 votos a 30, um pedido de abertura de procedimento semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana. A iniciativa amplia a pressão sobre os dois principais integrantes do Executivo paraguaio e coloca em discussão a possibilidade de uma mudança na Presidência.
Peña havia anunciado sua decisão de deixar o cargo por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais no início da tarde desta quinta-feira. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República.
Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, declarou. O anúncio, entretanto, não encerrou a disputa política.
Integrantes da oposição defendem que o Congresso rejeite a renúncia e dê prosseguimento ao julgamento político do presidente e de seu vice. Oposição rejeita renúncia e cobra punição
A senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, manifestou-se contra a aceitação do pedido de Peña e defendeu a continuidade do processo de impeachment. “Não aceitamos a renúncia de Santiago Peña.
É preciso realizar o processo de impeachment contra ele e o vice-presidente Alliana”, afirmou em uma publicação nas redes sociais. A parlamentar também criticou a possibilidade de o presidente deixar o cargo sem enfrentar um julgamento político.
“Rejeitamos a concessão de foro privilegiado a Santiago Peña. Que todos os responsáveis e seus cúmplices sejam punidos.
O Paraguai precisa de JUSTIÇA. NÃO AOS PACTOS DE IMPUNIDADE”, acrescentou.
A posição da oposição está relacionada às regras constitucionais paraguaias. Ex-presidentes eleitos democraticamente podem adquirir a condição de senadores vitalícios, com as prerrogativas previstas para essa função.
A possibilidade não se aplica aos mandatários submetidos a julgamento político e declarados culpados. Intervenção no Ueno Bank desencadeou crise
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou uma intervenção no Ueno Bank em razão de insuficiência de capital. A decisão colocou sob escrutínio as relações financeiras anteriormente mantidas pelo presidente com empresas ligadas à instituição.
Em abril de 2025, Peña havia reconhecido publicamente que possuía investimentos na Ueno Holding, companhia vinculada ao Grupo Vázquez, controlador do banco. De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, antes de vender suas ações, o presidente detinha uma participação avaliada em 6,144 bilhões de guaranis, aproximadamente R$ 5,51 milhões na cotação mencionada pela reportagem.
A existência desses investimentos passou a integrar o debate político após a intervenção bancária. As informações disponíveis, contudo, não demonstram, por si só, participação do presidente em eventuais irregularidades na administração da instituição financeira.
Sucessão presidencial permanece indefinida Pelas regras de sucessão, o vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir a Presidência caso a renúncia de Peña seja aprovada pelo Congresso.
Entretanto, a abertura de um processo de impeachment também contra Alliana acrescenta incertezas ao cenário político.
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