Uma importante retomada da violência entre rebeldes Houthis e as forças do governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, provocaram mais de 300 mortes desde a quinta-feira, enquanto as facções rivais disputam o controle de áreas no sudoeste do país, próximo ao Estreito de Bab el-Mandeb — uma passagem estratégica que liga o Golfo de Áden e o Mar Vermelho, na rota naval que leva ao Canal de Suez. Os Houthis prometeram fechar a via em solidariedade ao Irã, e após ataques diretos pelos quais culpou o governo saudita. Quer mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo com informações sobre 36 países Oficiais do Exército iemenita informaram que 84 militares morreram, a maioria em ataques com foguetes disparados pelos Houthis, entre a tarde sábado e domingo. Fontes ligadas ao governo rebelde afirmaram que 57 de seus homens teriam falecido no mesmo período. Um levantamento da AFP com base em informações divulgadas por militares e organizações apontou a estimativa de mais de 300 mortos, entre combatentes e civis. Os combates pelo controle do acesso ao Mar Vermelho foram retomados na última quinta-feira, e já é a escalada mais relevante do conflito desde o colapso de um cessar-fogo assinado em 2022, rompido em julho. Um oficial das forças do governo internacionalmente reconhecido afirmou que conseguiram estabelecer posições ao norte de Hays, situada a menos de 30 Km da Costa do Mar Vermelho. Em contrapartida, os Houthis teriam avançado a Oeste de Taiz, ao sul de Hays, em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb. Estrategicamente, a ofensiva houthi parece tentar cortar o acesso à cidade portuária de Mocha, e avançar em direção às áreas que margeiam o estreito. Controlar a faixa litorânea contígua à passagem poderia representar um elemento importante no prometido controle sobre Bab el-Mandeb — uma rota navegável que ganhou importância para o transporte de petróleo produzido pela Arábia Saudita depois que o Estreito de Ormuz foi bloqueado pelo Irã. Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb Editoria de Arte Farea al-Muslimi, especialista em Oriente Médio do instituto de pesquisa britânico Chatham House, afirmou que a estartégia dos Houthis buscavam explorar uma linha de frente vulnerável em Mocha, quebrando os elos com Taiz e Bab al-Mandeb. — Se tiverem a oportunidade de assumir completamente o controle de Bab al-Mandab, não hesitarão nem por um segundo — disse al-Muslimi. Adam Baron, pesquisador do instituto americano New America, avaliou que a ofensiva houthi iniciada na quinta-feira "destruiu grande parte do que restava do frágil cessar-fogo no Iêmen", e que "cada vez mais, as coisas parecem estar caminhando para uma escalada, com poucas possibilidades de recuo". Famílias em fuga No domingo, jornalistas da AFP viram pessoas deslocadas, carregando colchões, animais e outros pertences, montando abrigos em outro campo na região. — Os disparos vinham contra nós de cima e de baixo — disse Rawdhah Hasan, uma mulher deslocada de Maqbanah. — Eles nos cercaram por todos os lados. Fugimos com nossos filhos sem sequer calçar os sapatos. Deslocados montam acampamento após fuga de área de conflito entre Houthis e tropas do Iêmen Ahmad al-Basha/AFP A agência da ONU para coordenação humanitária (OCHA, na sigla em inglês) informou na sexta-feira que cerca de 1.790 famílias haviam sido deslocadas após "intensos bombardeios e confrontos" nos distritos de Maqbanah e Jabal Habashi. O número parece ter aumentado com a intensificação dos conflitos. — Algumas pessoas ficaram feridas e outras foram mortas. Nós as vimos caídas no chão, mas não pudemos ajudar ninguém — contou Nimah Saif, outra mulher deslocada do distrito de Jabal Habashi. — Agora estamos presos aqui, com fome, sem nada para comer. Um porta-voz do secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse que ele estava "profundamente preocupado com os confrontos militares em andamento", alertando para "consequências políticas, econômicas e de segurança devastadoras para o Iêmen e sua população". (Com AFP)
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Confronto entre Houthis e tropas do Iêmen por área perto do Estreito de Bab el-Mandeb deixa mais de 300 mortos
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O Globo
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