Conflito por poço de água deixa ao menos 42 mortos no leste do Chade, na África
Ao menos 42 pessoas morreram e outras 10 ficaram feridas após confrontos entre grupos étnicos rivais no leste do Chade, na África, segundo autoridades locais. A violência teve início, nos últimos dias, a partir de uma disputa por um poço de água na província de Wadi Fira e se expandiu em um ciclo de ataques de represália que atingiu diversas comunidades, com relatos de aldeias incendiadas.
De acordo com o governo, o conflito começou como um desentendimento entre duas famílias, mas rapidamente ganhou proporções maiores, envolvendo diferentes grupos e se espalhando por uma ampla área da região.
Neste domingo (26), uma delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro Limane Mahamat foi enviada ao local. As autoridades afirmaram que a situação está sob controle e que medidas foram adotadas para conter novos episódios de violência.
Disputas recorrentes por recursos
Confrontos comunitários são frequentes no Chade, país marcado por tensões históricas entre agricultores e pastores, além de rivalidades étnicas. Esses episódios costumam ser desencadeados pela disputa por recursos escassos, especialmente água e áreas de pastagem.
A pressão sobre esses recursos tem aumentado nos últimos meses com a chegada de refugiados que fogem da guerra civil no Sudão, país vizinho. Segundo o governo chadiano, há preocupação com o risco de o conflito sudanês desestabilizar ainda mais a região de fronteira.
Nos últimos anos, a violência comunitária no país tem deixado centenas de mortos. Em novembro, um confronto semelhante motivado por um poço de água resultou em 33 mortes na localidade de Dibebe, no sudoeste.
Levantamento do International Crisis Group aponta que cerca de 1.000 pessoas foram mortas e 2.000 ficaram feridas em aproximadamente 100 confrontos registrados entre 2021 e 2024.
Já a Anistia Internacional informou ter documentado ao menos sete episódios de violência entre pastores e agricultores no período de 2022 a 2024, com 98 mortes. Em relatório divulgado no ano passado, a organização atribuiu os conflitos a fatores como mudanças climáticas e à pressão crescente sobre recursos naturais.
A entidade também criticou a atuação das forças de segurança, apontando respostas tardias e falta de responsabilização dos envolvidos. Segundo a organização, esse cenário contribui para um ambiente de impunidade e reforça a marginalização de comunidades afetadas.
