Condenado há dois dias, mandante do assassinato de Mãe Bernadete é morto em ação policial na Bahia

 

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Um dos condenados pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete morreu na madrugada desta quinta-feira após confronto com policiais militares, na zona rural de Catu, na Região Metropolitana de Salvador. Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, havia sido condenado na terça-feira a 29 anos e 9 meses de prisão, mas seguia foragido. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), ele foi localizado durante uma operação para cumprimento do mandado de prisão e reagiu à abordagem. Houve troca de tiros, e o suspeito não resistiu. Com ele, os agentes apreenderam uma arma e munições.

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Considerado chefe do tráfico na região, Marílio foi apontado pelo Ministério Público como o mandante do assassinato de Mãe Bernadete, morta em agosto de 2023 no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Segundo as investigações, o crime teria sido motivado pela atuação da líder contra atividades criminosas na comunidade, incluindo a venda de drogas.

O julgamento que o condenou ocorreu no Fórum Criminal Ruy Barbosa, em Salvador, e durou dois dias. Apesar de foragido, ele foi levado a júri popular por ter defesa constituída. Na mesma sessão, o réu apontado como executor, Arielson da Conceição dos Santos, também foi condenado, a mais de 40 anos de prisão, por homicídio qualificado.

A Justiça reconheceu que o crime foi cometido por motivo torpe, com uso de meio cruel, sem possibilidade de defesa da vítima e com arma de uso restrito. Arielson ainda foi condenado por roubo, já que celulares da vítima e de familiares foram levados na ocasião.

Marílio integrava o chamado “Baralho do Crime”, lista da SSP-BA que reúne os foragidos mais procurados do estado. Ele ocupava a carta “Ás de Ouros”, reservada a alvos considerados de alta periculosidade.

Em nota divulgada após a condenação, a Anistia Internacional afirmou que a decisão representa um avanço, mas cobrou a responsabilização de todos os envolvidos. A entidade também defendeu mudanças estruturais nos mecanismos de proteção a defensores de direitos humanos.

O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu dentro de sua casa, na presença dos netos. Dois homens encapuzados invadiram o imóvel, retiraram as crianças da sala e efetuaram ao menos 25 disparos. Ao todo, seis pessoas foram identificadas como participantes do crime, mas apenas parte delas foi julgada até agora.

Outros suspeitos seguem aguardando julgamento, entre eles Josevan Dionísio dos Santos, apontado como um dos executores; Sérgio Ferreira de Jesus, acusado de dar suporte logístico e indicar rotas; Ydney Carlos dos Santos de Jesus, suspeito de participação no planejamento; e Carlos Conceição Santiago, que teria auxiliado na fuga e no armazenamento de armas.

O caso expôs falhas na proteção à líder quilombola, que integrava um programa oficial voltado a defensores de direitos humanos. Em 2025, a família firmou acordo com o poder público e foi indenizada, em valores mantidos sob sigilo. Segundo parentes, a medida teve caráter não apenas reparatório, mas também simbólico.

A morte de Mãe Bernadete também remete a outra tragédia na família: em 2017, seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, foi assassinado na mesma comunidade. O caso segue sem solução definitiva.