Ela era mais baixa do que eu, e parecia mais velha também. Parada na entrada da estação do metrô, vestia uma blusa florida, uma calça justa colorida e carregava uma bolsa de pano no ombro.
Só reparei nela quando me abordou. Falando baixo, explicou que precisava entrar com alguém para passar o cartão de gratuidade condicionado a uma companhia.
Eu nunca tinha ouvido falar dessa restrição. Ela disse que estava indo para a terapia, contou que é surda, mas lê os lábios, tem um implante, daí apontou para a região próxima ao ouvido, virando a cabeça como se fosse me mostrar algo e eu só enxerguei o couro cabeludo mal coberto por cabelos ralos e tingidos.
Desconfiada, antes de descer as escadas, perguntei, você precisa de companhia para a terapia? Não, só para passar pela catraca, ela disse, estou acostumada, e desceu falando, com naturalidade, prestando atenção aos degraus, sem segurar no corrimão. Matéria exclusiva para assinantes.
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Valor