Como vida e morte influenciam o preço dos imóveis, de Paris a Hong Kong

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Fonte da notícia: Info Money Info Money

PARIS – A vida e a morte podem influenciar o preço de um imóvel de maneiras pouco convencionais. Enquanto na Europa a expectativa de vida do vendedor entra no cálculo da operação, na Ásia o estigma relacionado à morte afeta o interesse dos compradores.Em Paris, por exemplo, uma pessoa pode vender sua propriedade com desconto e continuar morando nela, enquanto o comprador paga uma renda ao antigo dono até sua morte.

A operação envolve especialmente os proprietários idosos. Já em Hong Kong, apartamentos associados a homicídios ou suicídios podem ser negociados por até metade do valor de imóveis semelhantes.

O modelo francês é conhecido como viager. Nesse tipo de contrato, o proprietário vende seu imóvel em troca de uma renda vitalícia paga pelo comprador.

A negociação pode incluir também uma quantia inicial, chamada bouquet, além dos pagamentos periódicos.Na modalidade mais comum, o viager occupé, o vendedor mantém o direito de morar na propriedade até morrer. O comprador adquire o imóvel, mas só poderá ocupá-lo ou utilizá-lo plenamente depois desse momento.

Existe também o viager libre, no qual a propriedade fica disponível para o comprador desde a assinatura do contrato.Imóveis negociados nesse formato podem ter descontos de até 80% em relação ao valor de mercado. O abatimento está relacionado ao tempo de espera para utilizar a propriedade e ao compromisso de pagar uma renda sem prazo previamente definido.Leia tambémCasa de Militão é assaltada durante El Clásico e ladrões levam R$ 2 mi em joiasA invasão teria ocorrido por uma janela aberta do terceiro andar entre 21h e 22h (horário local)Novo dia de protestos em Paris termina com confrontos diante da Torre EiffelTerceiro final de semana de mobilização na França teve forte repressão das forças de segurança e policias feridos por coquetel molotovO valor da operação considera fatores como preço de mercado do imóvel, idade e expectativa de vida do vendedor, quantia paga inicialmente e eventual direito de ocupação.

A renda pode ser mensal, trimestral ou anual, e continua sendo paga enquanto o antigo proprietário estiver vivo.A incerteza sobre a duração dos pagamentos representa o principal risco para o comprador. Se o vendedor viver mais do que o previsto nos cálculos, o custo acumulado poderá superar o valor de mercado da propriedade.

Se morrer pouco tempo depois da assinatura, terá recebido menos parcelas do que poderia receber caso vivesse por mais anos.Para o vendedor, o modelo permite transformar o patrimônio imobiliário em uma fonte de renda durante a aposentadoria, mantendo, em muitos casos, o direito de permanecer na própria casa.

A modalidade é reconhecida pela legislação francesa e exige a formalização do contrato perante um notário.Leia também: Paris tenta apagar da paisagem seu prédio mais odiado, mas enfrenta impasse: o custoEm Hong Kong, morte pode derrubar o valor A relação entre morte e mercado imobiliário assume outra dimensão em Hong Kong.

Propriedades nas quais ocorreram mortes não naturais, como homicídios e suicídios, podem ser negociadas com descontos de até 50%, segundo agentes imobiliários ouvidos pelo South China Morning Post. Os aluguéis dessas unidades também costumam ficar cerca de 20% abaixo da média de mercado.O impacto não se restringe ao apartamento onde ocorreu a morte.

Uma pesquisa de Zheng Chang e Jing Li, publicada em 2018 na revista acadêmica Regional Science and Urban Economics, analisou transações imobiliárias em Hong Kong entre 2001 e 2015 e estimou uma desvalorização média de 25% nas unidades diretamente associadas a mortes não naturais.O estudo também identificou efeitos sobre imóveis próximos.

Apartamentos no mesmo andar tiveram queda média de 4,5% nos preços, enquanto unidades em outros andares do mesmo edifício registraram redução de 2,6%. Em outros prédios do mesmo condomínio, o recuo foi de aproximadamente 1%.Os pesquisadores atribuíram a maior parte do impacto ao estigma associado à propriedade, e não à percepção de aumento do risco de criminalidade.

A desvalorização também não é necessariamente permanente: os preços continuaram caindo por cerca de quatro a cinco anos após o episódio e, depois, começaram a se recuperar gradualmente.

Publicação Original Info Money infomoney.com.br
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