Como surgiu o sinal que ajuda mulheres vítimas de violência a pedir socorro discretamente

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um gesto discreto com uma das mãos ajudou a salvar uma menina de nove anos de uma tentativa de estupro em Curitiba, no Paraná. A criança fez o sinal de socorro enquanto era abordada por um homem a caminho da escola. O primo adolescente, que caminhava um pouco atrás, reconheceu o movimento e procurou ajuda. O caso, ocorrido na sexta-feira (9), chamou a atenção para uma ferramenta criada para permitir que vítimas de violência peçam ajuda sem precisar falar ou chamar a atenção de um agressor. Veja também: Vazão das Cataratas do Iguaçu ultrapassa dez vezes o volume normal e passarela tem grades retiradas Saiba mais: 18 horas, espumante e buracos nas paredes: entenda como foi o furto de R$ 5 milhões em joalheria na Oscar Freire Conhecido internacionalmente como Signal for Help (Sinal para Ajuda, em tradução livre), o gesto foi lançado em abril de 2020 pela Canadian Women's Foundation, organização canadense dedicada à defesa dos direitos das mulheres. A iniciativa surgiu durante a pandemia de Covid-19, quando as medidas de isolamento social aumentaram a preocupação com a segurança de pessoas submetidas à violência doméstica.

Naquele período, as restrições de circulação e a permanência prolongada dentro de casa poderiam ampliar os riscos para quem vivia com um agressor. Ao mesmo tempo, as videochamadas se tornaram uma das principais formas de comunicação. A proposta era criar um movimento simples, feito com apenas uma mão, que pudesse ser utilizado durante uma conversa por vídeo sem deixar rastros digitais. O sinal foi desenvolvido com a participação de organizações e profissionais ligados ao enfrentamento da violência de gênero. A iniciativa também contou com uma agência de publicidade de Toronto, no Canadá, responsável pelo desenvolvimento do gesto. A intenção era criar um movimento facilmente reconhecível, que não dependesse de palavras e pudesse ser compreendido independentemente do idioma.

Como fazer o sinal de socorro O gesto é realizado em três etapas. Primeiro, a pessoa levanta uma das mãos, com a palma voltada para quem pode ajudá-la. Em seguida, dobra o polegar em direção ao centro da palma. Por fim, fecha os outros quatro dedos sobre o polegar, como se o prendesse dentro da mão. O movimento foi pensado para comunicar que alguém se sente ameaçado e precisa de apoio. Desde seu lançamento, o sinal passou a circular nas redes sociais e foi incorporado por organizações de diferentes países em campanhas de conscientização sobre a violência de gênero. O gesto também ganhou visibilidade em casos concretos de violência. Em novembro de 2021, por exemplo, uma adolescente de 16 anos desaparecida nos Estados Unidos utilizou o sinal dentro de um carro. Uma pessoa que percebeu o movimento acionou as autoridades, e o caso contribuiu para ampliar a divulgação internacional da iniciativa. Como o gesto ajudou a salvar uma menina em Curitiba No caso mais recente, a menina seguia para a escola quando foi abordada por um homem de 54 anos, na Rua Guaçuí, em Curitiba. Segundo a Guarda Municipal, o suspeito ofereceu R$ 50 para que ela o acompanhasse até um terreno próximo. Diante da recusa, ele teria tentado forçá-la a acompanhá-lo. A criança fez o sinal de socorro, que foi reconhecido pelo primo adolescente. Ele correu até um posto de gasolina para pedir ajuda a adultos. Uma equipe da Patrulha Escolar da Guarda Municipal, que realizava rondas na região, interveio e prendeu o homem em flagrante. Segundo a prefeitura de Curitiba, a menina e o primo haviam aprendido o gesto com a avó, que conheceu a iniciativa em uma reportagem de televisão sobre mulheres vítimas de violência doméstica e decidiu ensinar o sinal aos netos. O suspeito foi encaminhado ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria). De acordo com a Guarda Municipal, ele era monitorado por tornozeleira eletrônica e cumpria pena em regime aberto por uma condenação de 2017 por estupro de vulnerável.

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