Quatro pessoas foram presas nesta segunda-feira, 19, em uma operação da Polícia Federal em parceria com autoridades da Suíça e da Espanha para desmontar uma quadrilha especializada no tráfico internacional de ovos de aves silvestres brasileiras, inclusive espécies ameaçadas de extinção. O esquema pendurou por duas décadas, segundo o inquérito. Uma mulher suíça, responsável pelo transporte dos ovos, foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol, o alerta para foragidos internacionais. A Operação Ninho Vazio teve três frentes simultâneas. No Brasil, policiais federais cumpriram dois mandados de prisão temporária e três mandados de busca e apreensão em Curitiba. Ossadas e animais empalhados foram apreendidos. Na Suíça, o Departamento Federal de Alfândega e Segurança de Fronteiras fez buscas na cidade de Weinfelden. E na Ilha de Gran Canaria, no arquipélago das Ilhas Canárias, na Espanha, a Polícia Nacional prendeu dois chefões do esquema, com base em mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça brasileira.
O ponto de partida da investigação, aberta em outubro de 2025, foi a apreensão de 24 ovos de aves silvestres no aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Eles estavam escondidos na roupa de uma passageira. Ao cruzar dados de viagens, a PF identificou um padrão de embarques e permanências de curta duração em território brasileiro, o que ampliou as suspeitas em torno do esquema. Operação Ninho Vazio: animais empalhados apreendidos pela PF.Divulgação/Polícia Federal
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O esquema era divido em quatro núcleos: obtenção dos ovos, organização das viagens, transporte e recepção no exterior. Os ovos eram levados às Ilhas Canárias, onde existem diversos criadouros e parques dedicados a papagaios e outros psitacídeos. Entre os exemplares comercializados, foram identificados o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o papagaio-charão (Amazona pretrei), espécies da fauna silvestre brasileira. O papagaio-charão, encontrado principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, está ameaçado de extinção. Já o papagaio-de-cara-roxa vive no litoral de São Paulo e do Paraná e está classificado como quase ameaçado de extinção, o que indica risco caso persistam pressões sobre suas populações. A retirada ilegal de ovos compromete a reprodução dessas aves e agrava os riscos à sua sobrevivência. A Polícia Federal identificou que as condições inadequadas de transporte “provocaram sofrimento e elevada mortalidade dos embriões”. Os crimes investigados são tráfico de animais silvestres, maus-tratos, contrabando e organização criminosa. Em caso de condenação, as penas somadas podem chegar a 15 anos. O objetivo da PF agora é esclarecer a extensão das atividades ilegais e identificar outros fornecedores, intermediários e destinatários.
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