Trabalho numa grande empresa e meu chefe costuma mudar de humor rapidamente. Dependendo do dia, ele pode ser bastante agressivo nas cobranças.
Já aconteceu de ele me criticar na frente de outras pessoas e depois agir como se nada tivesse acontecido. Tenho tentado não levar para o lado pessoal e manter uma postura profissional, mas sinto que estou ficando cada vez mais inseguro e ansioso no trabalho.
Não quero simplesmente pedir demissão, porque gosto da empresa e da minha função. Como posso estabelecer limites e me proteger sem transformar a situação em um conflito maior?
Gerente de marketing, 29 anos Em 1995, Daniel Goleman popularizou o conceito de inteligência emocional com um livro que levaria anos para conquistar a atenção do mundo corporativo.
Hoje, a incapacidade de reconhecer e regular as próprias emoções pode custar a um executivo o cargo, inclusive no topo. Liderar exige, além de competência técnica, construir confiança, estimular a colaboração e criar condições para que a inovação aconteça.
Como reter um talento se não posso promovê-lo? Como otimizar o tempo ao lado da minha líder?
Como lidar com o etarismo na busca por emprego? Líderes com oscilações de humor, reações desproporcionais e falta de empatia espalham, como relatado, insegurança e tensão.
Hoje, a incapacidade de reconhecer e regular as próprias emoções pode custar a um executivo o cargo, inclusive no topo, diz colunista Freepik
Em um mundo de instabilidades globais e mudanças contínuas, quem não consegue liderar a si mesmo dificilmente mantém uma equipe em pé. Por isso, eu tenho insistido nas empresas que, como já alertado pelo Fórum Econômico Mundial, a regulação emocional é uma competência de alta performance.
Se você não domina o que sente, as emoções dominam a sua entrega. No topo, o impacto vai além: o estado emocional de um líder contamina o clima em que todos trabalham.
Os resultados podem até ser bons, mas qual o custo a quem os torna possíveis? Se você já percebeu que não levar as reações dele para o lado pessoal não é suficiente, está na hora de ampliar os seus recursos emocionais.
Autoconhecimento, regulação emocional e capacidade de estabelecer limites formam um bom ponto de partida. Essas habilidades ajudam a distinguir o que está sob o seu controle e o que pertence ao chefe, ao colega ou à cultura da empresa.
Com clareza, fica mais fácil dizer não quando necessário e escolher como responder em vez de só engolir sapo ou reagir de forma automática. Esse repertório emocional pode ser desenvolvido com ajuda especializada, treinamentos e mentorias.
Quando você sentir que as demandas estão prestes a transbordar, experimente também tirar uma pausa de um minuto. Apoie os pés no chão, relaxe os ombros e respire lentamente, prestando atenção ao movimento do seu abdômen.
A respiração consciente pode ajudar a reduzir a ativação fisiológica do estresse e criar espaço para uma resposta mais deliberada. Mais consciente, você consegue agir de forma mais estratégica e preservar a sua capacidade de ação, já que conhece os padrões de comportamento do seu chefe.
Se ele costuma fazer cobranças agressivas ou criticá-lo em público, antecipe-se sempre que possível: organize informações, registre alinhamentos e mantenha o foco nos fatos diante de reações hostis. Contudo, se o comportamento ultrapassar limites ou se tornar abusivo, não hesite em buscar apoio e avaliar os canais adequados para lidar com a situação.
Reforço: regular as próprias emoções não significa tolerar tudo, muito menos assumir a responsabilidade pelo comportamento alheio. Você precisa aprender a lidar com a pressão sem fazer do sofrimento o preço da sua competência.
Mariana Clark é psicóloga, especialista em saúde mental, perdas e luto no contexto organizacional e escolar. Envie sua pergunta, acompanhada de seu cargo e sua idade, para: carreiranodiva@valor.com.br
Esta coluna se propõe a responder questões relativas à carreira e a situações vividas no mundo corporativo. Ela reflete a opinião dos consultores e não a do Valor Econômico.
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