Como a saúde bucal pode interferir no relacionamento e na intimidade do casal

 

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Com o passar do tempo, é comum que muitos casais deixem de lado pequenas demonstrações de intimidade, como conversar de perto, rir juntos e manter contato visual. Embora rotina e estresse apareçam frequentemente como explicações para esse afastamento, outros fatores, menos evidentes, também podem interferir na dinâmica da relação. Entre eles, a saúde bucal.

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Segundo o dentista Anderson Bernal, os cuidados com a boca ultrapassam a dimensão estética e alcançam a forma como as pessoas se relacionam. "Ela toca em pontos fundamentais da conexão humana, como a comunicação, a autoimagem e a percepção de cuidado", afirma.

De acordo com ele, alterações na saúde bucal podem criar barreiras silenciosas no convívio. Problemas como halitose, acúmulo de tártaro e sangramento gengival costumam gerar desconforto em situações de maior proximidade. "A pessoa passa a evitar falar de perto não por falta de amor, mas por desconforto e vergonha", diz.

No cotidiano, esse tipo de constrangimento tende a alterar gestos simples, como cochichar, sustentar o olhar durante uma conversa ou rir sem contenção. Aos poucos, essas trocas podem perder espontaneidade, e a sensação de proximidade também acaba impactada.

Os efeitos não se restringem à convivência. Eles alcançam a autoestima e a forma como cada um se coloca na relação. Para Bernal, a percepção sobre o próprio sorriso influencia diretamente esse movimento. "A autoconfiança é o pilar de como nos apresentamos ao mundo e ao nosso parceiro", destaca.

Na prática, inseguranças relacionadas ao hálito ou à aparência dos dentes podem levar a mudanças sutis de comportamento: sorrir menos, cobrir a boca ao falar ou evitar interações mais próximas. A psicanalista Michele Umezu observa que esse tipo de postura pode ser interpretado de forma equivocada dentro da relação.

"Muitas vezes, o afastamento não está ligado à falta de afeto, mas ao medo da rejeição. Pequenas inseguranças acabam alterando a forma como a pessoa se posiciona emocionalmente no relacionamento", esclarece.

Ela acrescenta que a espontaneidade é um dos primeiros elementos a sofrer impacto. "Quando alguém evita rir, falar de perto ou demonstrar carinho por constrangimento, cria-se uma barreira emocional que nem sempre é percebida imediatamente pelo outro", observa.

Bernal também chama atenção para o papel do sorriso na comunicação não verbal do casal: "O sorriso é nossa principal ferramenta de acolhimento. Um sorriso confiante transmite abertura e facilita a resolução de conflitos no casal."

O dentista lembra ainda que a saúde bucal está conectada a outras condições do organismo, como doenças cardiovasculares e processos inflamatórios. "Hoje sabemos que a saúde da boca está ligada à saúde do coração e ao controle de inflamações", pontua.

Para o sexólogo João Borzino, gestos simples seguem sendo centrais na manutenção dos vínculos afetivos. "A intimidade também é construída nos gestos mais simples do cotidiano. Quando o casal perde essa troca espontânea, a conexão emocional pode ser afetada", avalia.

A percepção de bem-estar e segurança na própria imagem, segundo o especialista, também influencia a forma como cada pessoa se posiciona dentro da relação e retoma a intimidade no dia a dia. "Cuidar da saúde bucal é, indiretamente, cuidar da forma como você se coloca no relacionamento. Uma visita ao dentista pode devolver a segurança para recuperar a proximidade que se perdeu", conclui Bernal.