A suspensão no abastecimento de água em decorrência da manutenção anual do Sistema Guandu tem provocado transtornos para moradores, comerciantes e instituições de ensino na Zona Norte do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense. A paralisação, que coincide com um dia de forte calor na região, afeta diretamente a rotina de quem depende do recurso para realizar atividades básicas e manter os negócios funcionando.
Nos bairros de Irajá, Colégio e Rocha Miranda, a falta d'água obrigou uma unidade de ensino a dispensar os alunos mais cedo. Mães relatam a dificuldade de manter a rotina doméstica sem o serviço.
Bruna de Paula contou que precisou buscar a filha mais cedo na escola e que a residência está sem abastecimento desde o dia anterior, após o estouro de uma tubulação em Irajá. "Estou tendo que tomar banho de balde, dentro de casa, com a água que eu já tinha e a água da caixa, rezando para não acabar", relatou.
Segundo ela, a situação é agravada pelo calor e pela falta de apoio. O impacto também é severo para o comércio local.
Em uma peixaria da região, o comerciante Alexandre de Assis relatou prejuízos expressivos. Com a falta de água e o calor intenso, o estabelecimento precisou dobrar a compra de sacos de gelo para manter os peixes frescos e teve que planejar o encerramento das atividades mais cedo que o habitual.
"Os clientes não vêm por falta d'água, e isso prejudica muito o andamento do trabalho. É muito prejudicial.
Estamos pagando oito reais por saco de gelo", afirmou, destacando que mercadorias perecíveis correm risco de perdas. Dificuldades semelhantes foram relatadas por Edmilson Assis, trabalhador de um hortifrúti na mesma área.
Sem o recurso hídrico, o comerciante não consegue realizar a higienização e o descascamento de aipins para comercialização. "Estou com duas caixas de aipim encalhadas aqui.
Como é que eu vou fazer? O freguês quer comprar o aipim descascado e eu não posso vender porque não tenho água para lavar", lamentou. De acordo com as informações divulgadas, o fornecimento de água na capital e na Baixada Fluminense permanece suspenso desde cedo para a realização da manutenção preventiva anual do Sistema Guandu, planejada em razão da proximidade do verão.
A previsão da concessionária é de que o serviço seja concluído na madrugada da quarta-feira (04), por volta das 4h, com a retomada gradual do abastecimento nas regiões afetadas. Até lá, a recomendação oficial para a população é de economia do recurso.
Esclarecimentos da Cedae e Previsão de Retomada A diretora de Saneamento e Operação da Cedae, Elisa Silva, explicou que a intervenção teve início às 4h02 da manhã, seguindo o cronograma estabelecido.
Entre os serviços executados estão inspeções em locais de acesso restrito, recuperação de infraestrutura e de equipamentos, além da limpeza de canais que atualmente se encontram vazios para preparar todo o sistema para o período de verão. O principal serviço de destaque do dia é a instalação de um macromedur de vazão com 2,40 metros de diâmetro.
A conclusão de todas as intervenções está programada para as 4h00 da quarta-feira, com a retomada gradual do abastecimento. Até a normalização completa do sistema, a Cedae reforça o pedido para que a população economize água e adie o uso de serviços não essenciais.
CBN