Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump. As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
O pleito ocorre em um momento de desgaste político do presidente republicano. A insatisfação com o custo de vida, a condução da economia, as tarifas comerciais e os efeitos da guerra contra o Irã pressionam a Casa Branca às vésperas da votação.
Com a maioria republicana nas duas Casas por uma margem estreita, os democratas enxergam uma oportunidade de recuperar espaço no Legislativo. Embora Trump não esteja concorrendo à Presidência, o resultado terá consequências diretas para a segunda metade de seu mandato, que termina em janeiro de 2029.
Uma mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos do governo, ampliar a fiscalização sobre as decisões do Executivo e limitar a capacidade de articulação política do presidente. cidadãos votaram para as eleições presidenciais dos EUA de 2024 em Maryland
Burro (símbolo democrata) e elefante (símbolo republicano) A popularidade de Trump é um dos principais fatores que influenciam o cenário eleitoral.
Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, enquanto 31% aprovam o desempenho do presidente. O levantamento também identificou que a insatisfação está concentrada principalmente na condução da economia e no aumento do custo de vida.
O resultado representa um dos piores índices de aprovação registrados para Trump nos dois mandatos. A política comercial do presidente também se tornou um ponto de desgaste.
Desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, o atual mandatário ampliou o uso de tarifas sobre produtos importados, sob o argumento de proteger a indústria norte-americana e fortalecer a economia doméstica. As medidas, no entanto, provocaram questionamentos judiciais, reações de parceiros comerciais e críticas de setores empresariais.
O aumento dos custos de importação também alimentou o debate sobre o impacto das tarifas nos preços pagos pelos consumidores. A insatisfação econômica se soma à alta dos combustíveis e às consequências do conflito envolvendo o Irã.
O encarecimento da energia pressiona os gastos com transporte, frete e produtos essenciais, ampliando o peso do custo de vida na decisão dos eleitores. Diante do cenário nitidamente conturbado, Trump tem intensificado a participação em eventos de campanha para mobilizar a base republicana e evitar que o partido perca o controle do Congresso.
Os democratas têm vantagem na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos mantêm uma maioria apertada, com 218 cadeiras contra 214 da oposição. Pesquisa Reuters/Ipsos indica preferência de 47% dos eleitores por candidatos democratas, ante 35% dos republicanos.
Projeções também apontam vantagem da oposição, que pode conquistar entre 220 e 236 cadeiras. O resultado, porém, dependerá de disputas acirradas em distritos eleitorais estratégicos.
A disputa pelo Senado é mais desafiadora para os democratas, que precisam conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria. Atualmente, os republicanos têm 53 assentos, contra 47 do bloco democrata.
A disputa pelo Congresso também envolve o redesenho dos distritos eleitorais para favorecer republicanos ou democratas. Texas e Califórnia lideraram movimentos opostos, seguidos por outros estados que alteraram seus mapas eleitorais.
As mudanças podem influenciar diretamente a distribuição das cadeiras na Câmara. Uma eventual vitória democrata na Câmara pode comprometer a capacidade de Trump de aprovar novas medidas legislativas.
Com o controle da Casa, a oposição passa a comandar a pauta de votações e as comissões, além de ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o governo. Isso também abre espaço para investigações parlamentares sobre decisões da administração, incluindo a política tarifária, a execução de medidas judiciais e a condução de operações militares no exterior.
No Senado, uma eventual mudança de maioria teria consequências adicionais. A Casa é responsável por confirmar indicações para cargos de alto escalão do governo, embaixadores e integrantes do Judiciário federal.
Uma maioria democrata poderia dificultar essas aprovações e impor novas condições às escolhas presidenciais. O resultado das midterms, portanto, não determina a permanência de Trump na Presidência, mas pode redefinir os limites políticos de sua administração.
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