Família vendeu terreno para construção de shopping com a condição de que os túmulos fossem preservados nos Estados UnidosReprodução Todos os dias, centenas de carros ora estacionam, ora passam pelo terreno aos fundos de uma grande loja que, à primeira vista, parece apenas mais uma das várias construções urbanas comuns.
Contudo, provavelmente sem saber, os motoristas que ali estacionam compartilhas as vagas de estacionamento com um cemitério familiar antigo. A cena, que poderia acontecer em praticamente qualquer lugar do mundo, é uma descrição de uma das lojas Walmart, nos Estados Unidos.
A loja de Decatur, no estado da Geórgia, abriga o Crowley Mausoleum, estrutura que preserva túmulos da família que ocupava aquele terreno antes da construção do empreendimento. As sepulturas ficam acima do nível do estacionamento, em uma construção “tímida” e arborizada que foi deixada no local.
A história que preserva esse mausoléu começa com um impasse há dois séculos. Conheça esse e outros cemitérios em locais inusitados abaixo:Mausoléu familiar mantido em um WalmartA história da construção começa no século XIX, quando em 1822 James M.
Crowley adquiriu cerca de 500 acres de terras naquele local. A propriedade se tornou uma fazenda e abrigava um pequeno cemitério em uma colina.
Crowley morreu em 1828 e foi enterrado no terreno.A prática se tornou comum entre a família, que por décadas foi sepultada ali. Ao longo do tempo, a cidade, antes rural, se urbanizou e começou a crescer comercialmente.Somente na década de 1960 a família fechou acordo para a construção de um shopping, o Columbia Mall, posteriormente renomeado Avondale Mall.
Contudo, o mausoléu seguia ali. A condição foi somente uma: o jazigo deveria ser mantido.Embora a visitação não seja permitida, a existência do cemitério é documentada por um centro histórico local o DeKalb, que é voltado à preservação da história local, assim como o antigo terreno de sepultamentos.Ainda de acordo com o centro DeKalb, à época, a solução encontrada pelos engenheiros para cumprir o acordo foi erguer uma estrutura de alvenaria ao redor das sepulturas, o que deu origem ao inusitado cemitério.O shopping fechou e foi adquirido pela Walmart em 2001, quando o terreno passou por nivelamento para construção de um novo estacionamento, ainda mantendo o jazigo preservado.O solo foi rebaixado em 3,6 metros, o que deixou os túmulos elevados em comparação com o entorno.Segundo informações divulgadas pelo Atlas Obscura, o mausoléu atualmente abriga 13 sepulturas em sua parte superior: 11 em estruturas de pedra sem identificação individual e outras duas com lápides.Mais um estacionamento Walmart, mais um cemitérioEm Warner Robins, cidade que também fica no estado da Geórgia, Estados Unidos, há outra loja Walmart que sedia um cemitério junto das vagas de estacionamento.Localizada em Booth Road, o local preserva uma área cercada isolada dos carros com as antigas sepulturas.
Conforme o historiador Tim Mosely ao Houston Home Journal, a existência dos túmulos foi um acaso.Durante o preparo do terreno para a construção, especialistas realizaram um levantamento com radar de penetração no solo, o que confirmou a existência de restos humanos. A origem dos túmulos, contudo, não é confirmada.Uma das hipóteses principais conforme o historiador é de que o terreno tenha abrigado escravos mortos.
As lápides, se é que existiram, teriam sido destruídas ao longo do tempo. Com isso, a área foi isolada e preservada para continuação da obra.
Cemitério “intermitente” tal qual um rioSimilar ao comportamento de rios intermitentes, que desaparecem quando a época de estiagem chega, um antigo cemitério submerso sob as águas do Lago de São Domingos, em São Domingos, Goiás, também tem aparições conforme no volume de água.O local está imerso desde a década de 1980 e volta a aparecer quando o nível da represa baixa significativamente, onde surgem túmulos, muros e até uma cruz de madeira que resiste embaixo d’água.A inundação tem causa humana.
A construção de uma hidrelétrica pela antiga Companhia Energética de Goiás (Celg) represou o Rio São Domingos para constituir um reservatório, inundando boa parte da região.Estruturas como casas, comércios e campos de futebol ficaram abaixo da água. Contudo, a inundação fora prevista pela obra, e os restos mortais foram transportados a outro cemitério da cidade antes da água chegar.Em junho de 2025, uma redução programada do nível do reservatório voltou a exibir as estruturas do cemitério após 30 anos.
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