A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) arrecadou cerca de três vezes menos em doações privadas, até o momento, neste ano do que na eleição presidencial de 2022. A queda ocorre em meio a uma menor arrecadação no financiamento coletivo da corrida eleitoral e a ausência de novas contribuições diretas de empresários que estiveram entre seus principais financiadores há quatro anos. Somando doações de pessoas físicas e financiamento coletivo, o petista recebeu R$ 3,1 milhões em 2026, contra R$ 9,64 milhões na disputa anterior, uma redução de aproximadamente 68%.
O levantamento foi realizado a partir dos dados de prestação de contas apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e considera os recursos privados recebidos durante os dois turnos de cada eleição. No caso de 2026, os valores são parciais, uma vez que o segundo turno será realizado no próximo domingo, dia 25. A principal diferença neste ano está na arrecadação do financiamento coletivo. Em 2022, a campanha Lula recebeu R$ 6,8 milhões nesta modalidade, contra R$ 1,1 milhão registrado até o momento neste ano. É uma queda de 83,8%.
Em meio a uma disputa apertada com Flávio Bolsonaro (PL) neste ano, as doações individuais de empresários também foram menores, passando de R$ 2,8 milhões para R$ 1,9 milhão, uma queda de aproximadamente 30%. Entre os empresários que ainda não repetiram os aportes neste ano, está o maior doador da campanha em 2022, Altair Vilar Guimarães, fundador do Cartão de Todos, rede de descontos e benefícios com atuação na área da saúde. O empresário, que chegou a integrar o “Conselhão” de Lula neste governo, destinou R$ 600 mil à candidatura na época. Outro financiador foi José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e da QSaúde, do setor de saúde suplementar, que contribuiu com R$ 500 mil. Os dois empresários responderam, sozinhos, por aproximadamente 39% de todas as doações diretas de pessoas físicas recebidas por Lula na eleição anterior. Nenhum dos dois voltou a contribuir com a campanha petista neste ano até o momento. Empresários também podem contribuir indiretamente para as campanhas, por meio de doações aos partidos, que posteriormente repassam os recursos aos candidatos. É o caso de Rubens Ometto, controlador da Cosan, que destinou R$ 1 milhão ao PT em 2022. Assim como em 2022, o empresário é o maior doador individual nas eleições deste ano, com R$ 6,6 milhões em contribuições para candidaturas. Apesar disso, o PT não foi contemplado dessa vez. Outras siglas como MDB, Republicanos e PL foram escolhidos para receberem recursos. Neste ano, o principal doador individual identificado na campanha de Lula é o empresário Erasmo Carlos Battistella, fundador da Be8, uma das principais produtoras de biodiesel do país, que contribuiu com R$ 500 mil. O empresário também destinou o mesmo valor à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Do outro lado, Flávio arrecadou cerca de R$ 26 milhões em doações privadas, turbinadas principalmente por contribuições de empresários do agronegócio neste segundo turno. A campanha de Lula tem sido financiada principalmente pelo Fundo Eleitoral do PT, que destinou R$ 115 milhões para a corrida presidencial. O Fundo Eleitoral foi criado em 2017 após a proibição das doações empresariais para campanhas políticas. Desde então, tornou-se a principal fonte de financiamento das disputas eleitorais no país. Apesar da proibição das doações empresariais, os donos e sócios de empresas podem contribuir com recursos próprios, como pessoas físicas. Pela legislação eleitoral, cada doador pode destinar às campanhas até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição, com exceções previstas para determinadas doações estimáveis em dinheiro. Assim, empresários de alta renda podem realizar contribuições milionárias dentro das regras eleitorais.
O Globo