Com a nova composição de 54 cadeiras do Senado, quatro em cada cinco membros da Casa (79%) na próxima legislatura estão nas faixas baixa ou muito baixa de convergência ambiental. É o que mostra levantamento da ONG Observatório do Clima, cujo índice mede o quanto a atuação e os votos dos parlamentares se aproximam da agenda do meio ambiente.
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Os dados mostram que 64 dos 81 senadores têm pouco alinhamento com a pauta climática e ambiental. Apenas 17 dos membros da Casa (21%) estão nas faixas boa ou muito boa de convergência.
O resultado indica um Senado mais hostil à agenda. Na legislatura passada, eram 58 parlamentares da Casa (71,6%) com baixa convergência ambiental.
“A piora decorre do crescimento de partidos de extrema direita na Casa, que historicamente apresentam convergência ambiental muito baixa — o Partido Liberal (PL) passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%) — e da baixa performance ambiental dos novos senadores”, diz o relatório. O cenário também não é favorável à agenda ambiental na Câmara.
Os dados mostram que 345 dos 513 deputados (67,3%) eleitos no domingo estão nas faixas de convergência baixa ou muito baixa. Na legislatura anterior, eram 63%.
Já o grupo nas faixas boa ou muito boa caiu de 181 para 168. O relatório destaca que, também nesta Casa, o PL ampliou sua bancada, de 98 para 121 deputados (23,6%).
Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, o resultado eleitoral “pode colocar em risco parte importante da proteção ambiental do país". — Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática.
Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental — diz Araújo. A ambientalista avalia que o cenário facilitaria a "aprovação de retrocessos, como o enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, a redução ou extinção de áreas protegidas, a diminuição da proteção às florestas e aos biomas brasileiros e a anistia a grileiros”.
O Índice de Convergência Ambiental considerou a composição e o perfil socioambiental dos parlamentares. Ou seja, como se posicionaram em votações sobre temas como licenciamento ambiental, comércio de emissões, terras indígenas, transição energética, proteção aos biomas e vetos presidenciais a dispositivos ambientais.
Foram priorizadas fontes oficiais, como Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos, com uso também de matérias publicadas na imprensa "quando necessário", afirma a ONG. As faixas de convergência consideradas foram: muito baixa (0 a 25%), baixa (26 a 50%), boa (51 a 69%) e muito boa (70 a 100%).
O Globo