Com pressão por combate ao tráfico, Rubio se reúne com presidente da Colômbia em início de viagem à América do Sul

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou nesta terça-feira à Colômbia, na primeira escala de um giro por países aliados na América do Sul, que mescla a pressão vinda da Casa Branca por ações para conter a ação dos cartéis do tráfico com o apoio vindo do presidente Donald Trump a governos que seguem sua cartilha de poder. Antes de pousar em Barranquilla, onde se encontrou com o presidente Abelardo de la Espriella, Rubio confirmou a adesão do Peru — sua última parada da visita — ao Escudo das Américas, uma aliança regional de países comandados pela direita.

Guga Chacra: A guerra de Rubio contra Lula 1,3 mil funcionários a menos: Esvaziamento do Departamento de Estado por Trump reforça agressividade dos EUA no exterior Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Rubio e o presidente colombiano se encontaram na sede regional da Presidência em Barranquilla, sem dar declarações iniciais à imprensa. Em seguida, se dirigiram para a reunião privada, longe das câmeras, e se pronunciarão à imprensa ainda nesta tarde. De la Espriella, um milionário autodenominado antissistema, fez do apoio declarado da Casa Branca uma de suas principais bandeiras de campanha, ao lado da promessa de uma postura mais dura contra o crime organizado na Colômbia. Mesmo antes da estreita vitória sobre Ivan Cepeda, apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro (esquerda), ele se dizia favorável a ações militares conjuntas com os EUA contra o narcotráfico, espelhando ataques já em curso no vizinho Equador.

Dias depois de sua posse, Espriella confirmou a adesão da Colômbia ao Escudo das Américas — o que será oficializado durante a visita com Rubio —, e quer tornar seu país uma espécie de base da iniciativa, oficialmente destinada ao combate ao narcotráfico, mas que serve hoje como o principal fórum de governos alinhados à Casa Branca na região.

— O apoio dos EUA será fundamental no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado transnacional — declarou, em vídeo nas redes sociais, o chanceler colombiano, Omar Bulla, destacando "a importância de reafirmar um compromisso com os valores ocidentais e com a defesa deles como aliados”. Segundo o jornal New York Times, em meio a discussões sobre acordos relacionados a minerais críticos, petróleo e tecnologia nuclear, Rubio leva uma mensagem clara da Casa Branca: para Trump, os colombianos precisam agir de maneira mais dura contra as organizações criminosas locais. Dados oficiais apontam que a Colômbia é o maior produtor mundial de cocaína, assim como os EUA são os maiores consumidores da droga. Batalha judicial: Justiça da Colômbia ordena suspensão de bombardeios contra guerrilheiros quando houver suspeita da presença de menores Desde a posse de Espriella, foram realizadas várias operações militares, que resultaram em número considerável de mortos. Recentemente, o presidente apareceu em tom celebratório, em uma rede social, ao lado do que seriam corpos de criminosos. Um dos temas com Rubio será o detalhamento de um pacote de assistência de segurança de US$ 1 bilhão, anunciado em agosto.

A Colômbia é a primeira escala de uma viagem que levará Marco Rubio a uma trinca de governos alinhados ao trumpismo. Depois de Barranquilla, o secretário de Estado seguirá para o Equador, onde se encontra com o presidente Daniel Noboa, no poder desde 2023 e que atua com os americanos em operações contra o narcotráfico, incluindo ações terrestres e os controversos bombardeios contra embarcações na costa do Oceano Pacífico. Apesar da derrota de um plano para restabelecer a presença de bases militares estrangeiras no país em um referendo, no ano passado, Noboa insiste no tema, e em junho implementou um decreto que permite a presença de tropas de outros países, desde que em caráter de apoio às forças locais, e lhes concede imunidade legal. Nas últimas décadas, o território equatoriano passou a ser usado por organizações criminosas como ponto de distribuição de drogas para mercados como a Ásia e Estados Unidos, tornando o país um dos mais perigosos da América Latina.

'Querem que usemos um míssil?': Trump anuncia aliança de 17 países das Américas para 'destruir' cartéis do narcotráfico Ainda nos Estados Unidos, Rubio anunciou que o Peru, sua última escala na viagem, passará a integrar o Escudo das Américas, uma promessa feita pela presidente Keiko Fujimori, que assumiu após uma vitória estreita no segundo turno das eleições de julho. Em artigo no jornal El Comércio, ele disse que “estamos coordenando esforços para proteger nosso hemisfério de ameaças transnacionais e regionais, acolhendo o Peru — agora um importante aliado extra-Otan” na iniciativa liderada pelo secretário de Estado.

No texto, o secretário tocou em outro tema sensível: as relações econômicas entre peruanos e chineses, maiores parceiros comerciais locais. Para Rubio, que deseja se ver livre da influência de Pequim na América Latina, “cada nação da nossa região tem o direito soberano de escolher seus parceiros”, mas ele pede que “a escolha seja feita com absoluta transparência e que todos os termos sejam públicos”. — Portanto, esta é, obviamente, uma viagem importante. Vamos visitar três países fortemente alinhados aos Estados Unidos. Temos muitos interesses em comum com eles, tanto no que diz respeito ao enfrentamento do terrorismo e do crime transnacional na região quanto às relações econômicas — disse Rubio aos jornalistas, pouco antes de embarcar para a Colômbia.

A viagem de Rubio à América do Sul é a primeira desde a adoção da versão trumpista da Doutrina Monroe — “América para os americanos” —, pela qual Washington busca exercer sua hegemonia na região, e a primeira desde a ofensiva militar que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro, e que tornou o regime chavista afável a Trump. Perguntado por jornalistas sobre uma possível viagem a Caracas, o secretário citou que sequência de feriados e datas históricas, como os 25 anos dos ataques de 11 de Setembro, não deixou espaço na agenda. Como esperado, Marco Rubio não cogitou uma escala no Brasil, com quem mantém uma rotina de tensão e ataques mútuos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tal como o México, outro governo de esquerda na América Latina, e o Uruguai, o Brasil não integra o Escudo das Américas e tampouco foi convidado para pensar no assunto.

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