O Grupo Ri Happy protocolou no último domingo (18), um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A iniciativa inclui a empresa na lista de varejistas nacionais que recorrem a esse recurso legal para reestruturar passivos e reorganizar o fluxo de caixa. O grupo mantém três unidades em operação no município de Ribeirão Preto, sendo duas sob a bandeira Ri Happy e uma sob a marca PBKids.
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Em comunicado divulgado ao mercado, a rede destacou que a proposta apresentada aos credores já conta com expressiva adesão. Paralelamente à renegociação, o grupo comunicou ajustes no quadro de funcionários corporativos e anunciou a transferência de sua sede administrativa.
Como funciona a recuperação extrajudicial
A recuperação extrajudicial é uma alternativa à recuperação judicial tradicional. Nesse modelo, a companhia devedora conduz os termos do plano de pagamento de forma direta com bancos, fornecedores e parceiros comerciais, fora do tribunal.
As negociações acontecem em ambiente privado. A intervenção judicial ocorre apenas na fase final: depois de atingir o percentual de adesão exigido pela legislação entre as classes de credores, o acordo é encaminhado ao Poder Judiciário para homologação. Esse passo valida os novos prazos, descontos e taxas de pagamento acordados para todas as partes envolvidas.
Grupo opera com 244 lojas da bandeira Ri Happy e 49 lojas da PBKids (Foto: reprodução/Magnific)
Segundo a direção da Ri Happy, as alterações têm como meta reequilibrar a estrutura de capital, elevar a eficiência do trabalho no dia a dia, manter a qualidade no atendimento prestado às famílias e crianças e assegurar o funcionamento dos negócios no longo prazo.
O processo de negociação com credores não afeta a rotina das unidades locais, e as compras continuam normalmente tanto no comércio físico quanto nos canais digitais. Criada em 1988, a Ri Happy expandiu sua participação no mercado brasileiro em 2012, quando adquiriu a PBKids, então concorrente direta no setor.
Em agosto deste ano, quando a empresa teve o controle acionário vendido, a rede somava 293 lojas abertas em diferentes regiões do País. A distribuição dos pontos funcionava da seguinte forma:
Bandeira Ri Happy: 244 lojas em operação, sendo 163 unidades próprias e 81 franquias;
Bandeira PBKids: 49 lojas ativas, sendo 42 unidades próprias e sete franquias.
Mudança no controle e retorno de executivo
O pedido de recuperação extrajudicial acontece dois meses após a venda do grupo para a gestora BluSun Capital Partners, concluída em agosto. A compradora é uma sociedade anônima nacional de capital fechado, fundada por Héctor Nuñez, que assumiu o cargo de diretor-presidente (CEO) da companhia pela segunda vez. Nuñez já havia liderado a Ri Happy entre os anos de 2012 e 2020.
O executivo soma mais de 25 anos de carreira corporativa em grandes empresas de varejo e bens de consumo. No histórico profissional, atuou como presidente do Walmart Brasil e exerceu cargos de direção na The Coca-Cola Company. Até abril deste ano, esteve à frente da Novonor (antigo grupo Odebrecht), onde assumiu a presidência em março de 2022 após atuar no conselho de administração desde 2021.
Com a nova gestão da BluSun, a Ri Happy estruturou uma nova equipe de diretores para liderar as divisões operacionais:
Carlos Fernandes: diretor operacional
Diego Motta: diretor financeiro
Sandra Haddad: diretora comercial
Alexandra Carrão: diretora de Gente e Gestão
Robledo Castro: diretor de Tecnologia e Informação
Teste de novo modelo de loja e pressões no setor
O movimento de reestruturação ocorre após o resultado abaixo do esperado em um projeto de renovação no modelo de negócios da rede. Em meados de junho, o grupo abriu no Shopping Morumbi, em São Paulo, uma unidade com a bandeira Divertudo. O espaço integrava a venda de brinquedos com áreas de lazer, entretenimento e atividades infantis, mas o modelo não obteve o retorno planejado em volume de vendas.
No comunicado emitido pela rede, a administração citou os desafios enfrentados pelo comércio físico e digital no Brasil. Entre as causas apontadas estão o custo elevado do crédito provocado pelas taxas de juros, alterações no comportamento de consumo das famílias, aumento da concorrência e impactos financeiros acumulados nos últimos anos.
Com informações Márcia De Chiara/Estadão Conteúdo
Foto: reprodução/Magnific
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