Com Castro ausente, Douglas Ruas assume protagonismo em evento da Polícia Civil e discursa no lugar do governador

 

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A ausência do governador Cláudio Castro em um evento de segurança pública nesta quinta-feira, acabou dando contornos políticos a uma agenda institucional. No mesmo dia em que o governador sancionou a lei que estabelece as regras para uma eventual eleição indireta ao governo do Rio, o secretário de Cidades, Douglas Ruas, foi quem apareceu para representar o chefe do Executivo em um encontro na Cidade da Polícia marcado pela entrega de novas viaturas e pelo lançamento da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) digital.

A agenda, que havia sido amplamente divulgada com a presença de Castro, no auditório da Cidade da Polícia, porém, deu protagonismo a Ruas. Ex-policial civil, procurou reforçar sua ligação com a instituição e com a pauta da segurança pública.

— Estou aqui representando o governador Cláudio Castro, que não pôde estar presente por conta da agenda apertada. Mas me concedeu essa honra de estar aqui naquela que é a minha casa. Eu digo sempre: estou deputado, estou secretário, mas sempre serei policial civil — afirmou Ruas, ao iniciar sua fala.

A plateia reunia muitos dos delegados titulares das delegacias do estado, além de autoridades da segurança pública e secretários do governo. Durante o evento, Ruas e o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, permaneceram sentados lado a lado no auditório da polícia. Após o encerramento da cerimônia, os dois seguiram conversando e se dirigiram juntos a uma sala reservada próxima ao auditório.

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Sucessão no governo

A cena chamou atenção porque ocorre em um momento de rearranjo político no estado. Castro tem até abril para decidir se deixa o cargo para disputar uma vaga ao Senado. Caso isso aconteça, o governo será ocupado temporariamente por um mandatário escolhido em eleição indireta pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A lei que regulamenta esse processo foi sancionada justamente nesta quinta-feira pelo próprio governador.

O secretário é um dos nomes cotados pelo Partido Liberal, o PL, para disputar o comando do Palácio Guanabara em uma eventual eleição indireta caso Castro deixe o cargo. Em reunião do partido no mês passado, em Brasília, foi discutida a possibilidade de Ruas encabeçar a chapa majoritária ao governo do estado, em um cenário em que Castro disputaria o Senado.

Ainda sobre o evento, antes da fala de Ruas, Felipe Curi fez um discurso que soou como uma espécie de prestação de contas da gestão da Polícia Civil durante o governo Castro. Ao agradecer parceiros e integrantes da corporação, o secretário listou uma série de entregas administrativas e operacionais, incluindo reformas na estrutura da Cidade da Polícia, avanços tecnológicos e melhorias nas condições de trabalho dos policiais.

Entre as iniciativas destacadas estavam a climatização da Central de Flagrantes, a instalação de uma academia para servidores, o retorno da lanchonete dentro da Cidade da Polícia e a previsão de reabertura do restaurante do complexo — demandas antigas de policiais que trabalham no local.

Curi também anunciou que a Cidade da Polícia passará a contar com um posto de combustível próprio, além de destacar investimentos em sistemas tecnológicos, softwares de investigação, drones, reconhecimento facial e novos equipamentos operacionais, e a compra de viaturas e armamentos. Segundo ele, a atual gestão conseguiu empenhar praticamente todo o orçamento disponível para a corporação.

— Pela primeira vez na história da Polícia Civil conseguimos gastar praticamente todo o nosso orçamento. Em 2025 empenhamos mais de 99% dos recursos — afirmou Curi.

Quando assumiu o microfone representando o governador do Rio, Ruas dedicou parte da fala para elogiar a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha e reforçar que a segurança pública tem sido tratada como prioridade na atual gestão estadual.

— Hoje temos uma gestão em que a segurança pública é colocada como prioridade. Basta olhar a lei orçamentária para ver isso — afirmou Ruas.

Mandato-tampão

A nova legislação sancionnada nesta quinta define como será realizada a votação que escolherá quem ocupará o cargo de governador em um eventual mandato-tampão — situação que pode ocorrer caso o atual chefe do Executivo deixe o cargo antes do fim do mandato. Pela regra, a escolha será feita pelos deputados estaduais, em votação aberta e nominal, em sessão pública e extraordinária.

Douglas Ruas e Felipe Curi em agenda

Fabiano Rocha/Agência O Globo

Um dos pontos mais debatidos do projeto foi mantido na versão final sancionada por Castro: o prazo de desincompatibilização de 24 horas. Com isso, candidatos interessados em disputar o cargo temporário poderão deixar funções públicas até um dia antes da eleição. A proposta original previa um prazo de seis meses, semelhante ao exigido nas eleições diretas.

A lei também estabelece que os partidos políticos serão responsáveis por indicar as chapas de governador e vice-governador. As siglas terão cinco dias, a partir da convocação do pleito, para formalizar suas candidaturas ao mandato-tampão.

De acordo com o texto, em caso de vacância no cargo de governador, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto, assumirá interinamente o comando do estado por até 30 dias. Nesse período, caberá a ele convocar a eleição indireta em até 48 horas após a vacância.

Cláudio Castro tem até abril para deixar o cargo caso decida disputar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano. Se optar pela renúncia, a eleição indireta será realizada pela alerj para definir quem comandará o Executivo estadual até o fim do mandato atual.

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