Com a nossa polícia, não haveria guerra no Oriente Médio

 

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Foi assistindo a uma reportagem sobre a disputa entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz que o policial teve a sacada:

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Peraí, pensou, é igual ao Rio de Janeiro! Tipo milícia e tráfico disputando Jacarepaguá. Só que por aquele estreito passa vinte por cento do comércio mundial de petróleo. Pra que vou perder tempo com milicianos e traficantes?

O sábio PM falou com o sargento, que viu na hora a oportunidade: é nóis! Confiante, pediu uma licença aos superiores para os dois: é para fazer segurança de bicheiro, explicou. Os oficiais concordaram na hora.

Pronto.

Com uma procuração fake da ONU comprada na feira de Acari, lá foram eles de camburão para o Oriente Médio.

(Sei que é longe, mas parábola é assim mesmo, direta).

No Irã foram logo pedindo para falar com o aiatolá de plantão:

— O amigo tem nota fiscal desses mísseis todos? E dos drones?

Diante do espanto, o sargento já foi dando a ordem:

— Soldado, pode recolher todo o material.

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O aiatolá, surpreso com os métodos heterodoxos das nossas autoridades, pediu ao menos a devolução dos mísseis. “Bom, tem uma maneira de desenrolar isso...”, sugeriu o sargento, com a sua sabedoria carioca. “Sabe como é, quem quer rir tem que fazer rir”, completou. O tradutor teve certa dificuldade, mas o camburão partiu cheio de tapetes persas.

A próxima parada foi no porta-aviões americano (Como o camburão foi parar num porta-aviões? Ora, é uma parábola, esqueceram? ). O almirante ficou um pouco cabreiro com a conversa fiada dos PMs, mas a procuração da ONU tinha um ar respeitável, ainda mais que estava com firma reconhecida no cartório de Madureira. Ele só empacou numa coisa: como assim porta-aviões precisa de licença especial do Detran?

— Um bichão desses? É óbvio, explicou o sargento. E o amigo precisa de habilitação categoria D, acrescentou. Não pode ser xerox, só original. Tô vendo aqui também que o IPVA de 2023 não foi pago. Complicado. Vamos ter que levar para o depósito...

O oficial, que tinha um monte de aviões esperando para decolar, aceitou a proposta de acertar ali mesmo.

— Crédito ou débito, perguntou o soldado, já com a maquininha da corporação na mão. Pix tem cinco por cento de desconto.

Eles ainda empurraram os drones iranianos para o almirante americano: "aproveita que tá tudo desbloqueado e com roaming habilitado".

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Empreendedores natos, os policiais expandiram a operação para os países em volta: gatonet nos Emirados Árabes, “quinhentos canais grátis e degustação de Netflix” e taxa de segurança no Catar: “o nobre sultão não vai querer que um míssil desses vá parar no seu palácio, né?”

Com o dinheiro extorquido, ou melhor, arrecadado, improvisaram uma barca Rio-Niterói como praça de pedágio no meio do Estreito: um milhão por petroleiro, dois por navio de guerra, torpedo passa de graça. A maquininha mal dava conta. Para o outro negócio — apreender armas no Irã e vender para os Estados Unidos num dia; no outro, fazer o contrário —, precisaram chamar reforço no batalhão: "um caveirão só não tá dando conta", reclamaram.

Resultado? A guerra acabou por falta de verba para tanta caixinha e arrego. Nossos bravos policiais foram considerados heróis: à sua maneira, salvaram o mundo. Tanto que o sargento já está contando com o Prêmio Nobel da Paz. O soldado, mais prático, quer se candidatar ao governo do Rio de Janeiro.

Tem chance?