Com 44 feminicídios, número de mulheres mortas aumentou em 15% no último ano em SC

Com 44 feminicídios, número de mulheres mortas aumentou em 15% no último ano em SC - Foto
Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

O TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) assinou nesta semana um protocolo de intenções da Rede Intersetorial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, em Florianópolis Com 44 feminicídios entre janeiro e outubro de 2026, o número de mulheres assassinadas em Santa Catarina aumentou 15,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 38 vítimas.

Para tentar diminuir os dados, o TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina) assinou nesta semana um protocolo de intenções da Rede Intersetorial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, em Florianópolis. O caso mais recente foi da professora Luciana Menta, de 54 anos, encontrada morta em uma área de mata em Faxinal dos Guedes, no Oeste catarinense, na noite de quinta-feira (22).

A vítima foi asfixiada dentro do próprio apartamento após uma briga com o namorado, que foi preso em flagrante. Os dados mostram que Santa Catarina segue na contramão do cenário nacional.

Segundo o Ministério da Justiça, 1.082 mulheres foram mortas por homens no Brasil entre janeiro e setembro de 2026, uma queda de 4,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 1.133 registros. Em Santa Catarina, o Oeste lidera o número de feminicídios, com 14 casos.

Na sequência, aparece a região Sul, com nove ocorrências, enquanto a Grande Florianópolis contabiliza cinco mortes. Além dos assassinatos, os registros de violência doméstica também preocupam.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, foram contabilizados 60.496 casos no estado até 19 de outubro. O suspeito de matar Luciana Menta foi localizado e preso pela Polícia Militar após imagens de câmeras de segurança o mostrarem saindo do prédio onde a professora morava com uma mala de grande volume.

A ocorrência foi atendida pelo 30º BPM/Fron (30º Batalhão de Polícia Militar de Fronteira) por volta das 19h55, na Rua Sete de Setembro, no Centro de Faxinal dos Guedes. Inicialmente, o caso foi registrado como desaparecimento de pessoa.

Conforme a corporação, familiares procuraram a polícia porque não conseguiam contato com a professora. Ela não havia buscado a filha na escola, tinha faltado ao trabalho e deixado de atender às ligações.

A vítima havia sido vista pela última vez por volta das 14h30, quando entrou no apartamento onde morava. Ao analisar as câmeras de segurança, a polícia identificou o suspeito saindo e entrando várias vezes no edifício.

Com base nas imagens e nas informações levantadas, a Polícia Militar localizou o homem na própria residência, no bairro Ozelame. Segundo a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), o suspeito confessou o feminicídio e a ocultação do cadáver durante a abordagem.

Ele relatou que os dois mantinham uma relação extraconjugal e ele a matou por asfixia após uma discussão no apartamento, transportando seu corpo até a área de mata em seguida. Nesta semana, o TJSC assinou um protocolo para fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra a mulher na capital.

Entre as medidas previstas estão a capacitação de profissionais, a divulgação de canais de denúncia e o incentivo à autonomia financeira das vítimas. A desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho destacou a importância da atuação conjunta entre instituições públicas e privadas.

“O Conselho Nacional de Justiça tem solicitado aos tribunais de Justiça que trabalhem de uma forma integrada com todas as instituições públicas e privadas”, relatou em entrevista à NDTV RECORD. A magistrada também informou que pretende se reunir com a vice-governadora de Santa Catarina, Marilisa Boehm, para discutir ações e projetos voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher em 2027.

Diante dos números, a defensora pública Tainá Braga, que atua no atendimento a mulheres vítimas de violência em Florianópolis, defende mais investimentos na estrutura de acolhimento e proteção, especialmente para mulheres que já estão em situação de violência doméstica. Para ela, a ampliação do atendimento é essencial para garantir que as vítimas consigam buscar ajuda.

“A delegacia 24 horas é uma necessidade latente. A gente não tem, em Florianópolis, por exemplo, uma delegacia 24 horas, e os crimes de violência doméstica ocorrem mais raramente na clandestinidade”, afirmou.

Gabrielle Tavares atua como repórter do portal ND Mais, onde escreve sobre os assuntos que dominam o noticiário de Santa Catarina, cobrindo segurança pública, cotidiano, política, economia, saúde e mais. Além de produzir textos, é repórter multimídia e participa de conteúdos em vídeo publicados nas redes sociais.

Jornalista desde 2020, é formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e tem experiência em portais de notícias, TV e redações multimídia. Cursa pós-graduação em Direito Penal e Criminologia na PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e venceu o Prêmio Mário Petrelli de Jornalismo 2025 e o Prêmio Sistema Famasul de Jornalismo 2019.

Atuou na cobertura eleitoral de 2022, reportando diretamente de colégios eleitorais e entrevistando eleitores e candidatos. Leia mais ▾

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →